segunda-feira, 1º de junho de 2020

ISSN 1983-392X

Turma de 1956

Jayme Vita Roso

"Fizemos muitos discursos, participamos da vida política, derrubamos os resquícios da ditadura e, com respeito e sobriedade, pouco pinduramos."

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Cursei a Academia do Largo S. Francisco, no período de 1952 a 1956 (curso noturno). Nós, da noite, na maioria absoluta, trabalhávamos duro, por isso, éramos comedidos. Mais ainda. Vivemos o ocaso do Governo de Getúlio Vargas, que suicidou em agosto de 1954.

A época foi turbulenta e pungente, lembrando que, no ano mencionado, comemorou-se o IV Centenário de São Paulo. Tivemos, sempre, manifestações organizadas, pacíficas, ordeiras e patrióticas (criação da Petrobras, sobretudo, em 1953).

Os alvos preferidos, pelos colegas matutinos, eram, sobretudo, os restaurantes Itamarati, Fasano (então na Praça Antonio Prado), assim como na Rua Vieira de Carvalho e o Pinguim (Rua Libero Badaró).

Nós, nada mesmo, creia. Preferíamos dançar nos cabarets (grátis) da Avenida Ipiranga e assistir os filmes no cinema Metro (Avenida São João). Éramos, também na maioria absoluta, muito carentes, sempre cansados.

O que nos orgulhava eram os Mestres Reale, Goffredo, Almeida Júnior, Siqueira Ferreira, Alexandre Correa (pai e filho), Ataliba Nogueira, todos muito corajosos. Enfim, fizemos muitos discursos, participamos da vida política, derrubamos os resquícios da ditadura e, com respeito e sobriedade, pouco pinduramos.

__________

*Jayme Vita Roso é advogado e fundador do site Auditoria Jurídica. (Confira o currículo completo)

Cadastre-se para receber o informativo gratuitamente

WhatsApp Telegram