Artigo - Dízimo e coação moral

26/9/2011
Carlos Henrique Bitencourt de Castro Magalhães

"Excelente artigo (Migalhas 2.715 - 15/9/11 - "Dízimo" - clique aqui)! Na verdade, quando lemos Agostinho e os Reformadores, a compreensão que se têm é que o dízimo no Novo Testamento não é obrigatório, mas é por amor! Por isso o apóstolo Paulo diz em uma de suas cartas: 'Deus ama ao que dá com alegria', isto é, o motivo de dar é a alegria, a gratidão. O Novo Testamento diz: se antes de Cristo dava-se 10%, sem que Cristo tivesse morrido por nós, qual não deve ser nossa alegria se Jesus já não veio? Assim, creio que outros motivos - e ameaças de sanções ou promessas de barganha - constituem verdadeiro estelionato quando utilizados sob o título do Cristianismo, pois a boa ortodoxia cristã vincula dízimo e oferta à gratidão - sobretudo pela crença específica do que Cristo fez por nós. Espinoza, em seu Tratado Teológico Político, ao fazer a transposição da Teoria do Poder da Idade Média para a Era Moderna, ou seja, transpondo o poder político da Religião para a Política, estabelece com precisão o alcance da frase de Cristo de que 'Deus é espírito e importa que os que o adorem, o adorem em espírito e em verdade' na Era Moderna: a Religião não legitima os atos civis, pois ela fica no mundo espiritual, e não material. Desse modo, a aplicação do saber religioso como troca e pena material não é legitimado pelo Estado Moderno, e nem pela própria Religião (nesse sentido, ver a confissão de fé de Westminster, por exemplo - século XVII - que diz que a comunhão cristã não deve destruir nem infringir o direito ou a propriedade de cada pessoa). Desse modo, realmente uma doação baseada em medo ou barganha não pode ser legitimada pela religião, como legítimo exercício dela, e por isso mesmo, não pode ser agasalhada pelo Estado."

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