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Misoginia

“Não é ódio, é ódia”, diz Cármen Lúcia de discursos contra mulheres

Ministra do STF criticou naturalização de ataques sexistas e alertou para efeitos do discurso de ódio sobre a democracia.

Da Redação

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Atualizado às 18:47

Durante a sessão do STF desta quarta-feira, 25, em que a Corte discute a responsabilização das plataformas digitais pela remoção de conteúdos publicados por usuários, a ministra Cármen Lúcia criticou à naturalização dos ataques misóginos, muitas vezes travestidos de críticas legítimas.

Na manifestação relatou os impactos concretos dessa violência sobre a vida de mulheres que atuam na política e no sistema de Justiça.

"Direito de criticar eu acho que tem, direito de vaiar tem, direito de aplaudir também nós temos. Agora, direito de xingar... aí é diferente", iniciou a ministra, apontando que o problema se intensifica quando os ataques deixam de ser meramente políticos para se tornarem misóginos, sexistas e desmoralizantes.

"Não é discurso de ódio, é discurso de 'ódia'", afirmou, com ênfase, ao tratar da carga específica e sistemática da violência verbal dirigida a mulheres.

Cármen Lúcia relatou que, em razão das agressões sofridas, muitas mulheres públicas passaram a adotar autocensura.

A ministra também rememorou episódios pessoais.

"Sou insuspeita para falar do que falam de mim. Xingam. Muitas vezes, acho que têm sim o direito de xingar. O que não têm é o direito de cercear, de levar à morte pessoas, instituições e a própria democracia."

S. Exa. concluiu com reflexão sobre os paradoxos da democracia:

"Alguém pode gritar numa praça pública: 'Odeio a ministra Cármen Lúcia'. O que ele não pode é pegar um revólver e me matar na rua. Isso não pode."

Veja a fala:

Ataques

Em 2022, Cármen foi ofendida pelo ex-deputado Roberto Jefferson, que gravou um vídeo referindo-se à ministra como “Bruxa de Blair” e a comparou a uma “prostituta”, após voto favorável à punição da emissora Jovem Pan por comentários considerados distorcidos e ofensivos contra Lula. O vídeo foi divulgado no perfil da Cristiane Brasil, filha de Jefferson.

Apesar do pretexto relacionado ao voto, a rivalidade entre Jefferson e a ministra teria se originado anos antes, quando, à frente da presidência do STF, Cármen barrou a posse de Cristiane como ministra do Trabalho no governo Michel Temer.

O episódio teve grande repercussão. Mais de 700 advogadas fizeram um manifesto de solidariedade; associações e institutos se manifestaram; a OAB nacional solicitou que a OAB/RJ abrisse um processo ético contra ele, uma vez que Jefferson se encontrava com situação "regular" nos quadros da Ordem; e figuras como Simone Tebet repudiaram as falas ofensivas.

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