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Não é cativeiro

Moraes rebate críticas e diz que Bolsonaro tem prisão "privilegiada"

Ministro afirmou que custódia respeita a lei e não configura violação de direitos.

Da Redação

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Atualizado às 18:54

Ministro Alexandre de Moraes rechaçou críticas públicas feitas às condições em que o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena, afirmando que ele tem condições privilegiadas no cárcere, e que há tentativa sistemática de deslegitimar o regular cumprimento da pena e de desqualificar o Poder Judiciário.

A manifestação foi feita nesta quinta-feira, 15, na mesma decisão em que ordenou a transferência de Bolsonaro para a "Papudinha".

Moraes afirmou que Bolsonaro cumpre pena em condições "extremamente favoráveis" e absolutamente excepcionais quando comparadas à realidade do sistema prisional brasileiro, ressaltando que tais benefícios não existem para os mais de 380 mil presos em regime fechado no país.

Segundo o relator, as alegações de que a sala de Estado-Maior da PF configuraria um "cativeiro" ou violaria direitos fundamentais não encontram qualquer respaldo fático ou jurídico nos autos.

 (Imagem: Sophia Santos/STF)

Ministro Alexandre de Moraes afirmou que Jair Bolsonaro cumpre pena em condições privilegiadas.(Imagem: Sophia Santos/STF)

"Narrativa dissociada da realidade"

Moraes destacou que as críticas partiram não apenas da defesa técnica, mas também de familiares e aliados políticos do ex-presidente, em entrevistas, redes sociais e manifestações públicas.

Entre as reclamações citadas estão o tamanho da cela, o funcionamento do ar-condicionado, o tempo de banho de sol, a origem da alimentação fornecida e as regras de visitação.

Para o ministro, tais manifestações ignoram por completo a realidade do sistema carcerário brasileiro, marcado por superlotação crônica, precariedade estrutural e restrição severa de direitos básicos -  cenário reconhecido pelo próprio STF ao declarar o estado de coisas inconstitucional do sistema prisional.

"Ocorre, entretanto, que, mentirosa e lamentavelmente, vem ocorrendo uma sistemática tentativa de deslegitimar o regular e legal cumprimento da pena privativa de liberdade de JAIR MESSIAS BOLSONARO, que vem ocorrendo com absoluto respeito à dignidade da pessoa humana e em condições extremamente favoráveis em relação ao restante do sistema penitenciário brasileiro", afirmou Moraes.

Condições privilegiadas da custódia

Na decisão, o relator enumerou as condições asseguradas a Bolsonaro desde o início da execução penal, entre elas: cela individual e exclusiva, banheiro privativo com água quente, ar-condicionado, televisão, frigobar, médico da PF disponível 24 horas, autorização para médicos particulares, fisioterapia, banho de sol diário e exclusivo, visitas reservadas e entrega diária de comida caseira.

Moraes observou que a cela tem o dobro da metragem mínima prevista na LEP - lei de execução penal e que não há qualquer situação de superlotação, ao contrário do que ocorre na quase totalidade das unidades prisionais do país.

Críticas ao discurso político

O ministro também criticou a tentativa de transformar a execução da pena em um debate político ou midiático, ressaltando que as condições diferenciadas não convertem a prisão em "estadia hoteleira" ou "colônia de férias", como sugerido em algumas manifestações públicas.

Segundo Moraes, exigir condições ainda mais amplas do que as já concedidas desvirtua o próprio sentido da pena privativa de liberdade, especialmente diante da gravidade dos crimes reconhecidos na condenação, relacionados à tentativa de ruptura do Estado Democrático de Direito.

"[...] essas condições absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena de JAIR MESSIAS BOLSONARO, condenado pela liderança da organização criminosa na execução dos gravíssimos crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito e suas Instituições, em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias, como erroneamente várias das manifestações anteriormente descritas parecem exigir, ao comparar a Sala de Estado Maior a um “cativeiro”, ao apresentar reclamações do “tamanho das dependências”, do “banho de sol”, do “ar-condicionado”, do “horário de visitas”, ao se desconfiar da “origem da comida” fornecida pela Polícia Federal, e, ao exigir a troca da “televisão por uma SMART TV”, para, inclusive, “ter acesso ao YOUTUBE."

Ataque ao Judiciário

Ao final, o relator afirmou que a propagação de informações distorcidas sobre a custódia do ex-presidente integra uma estratégia de enfraquecimento da autoridade judicial, baseada na difusão de notícias falsas e na descontextualização deliberada das decisões.

Para Moraes, o Judiciário tem o dever de assegurar direitos fundamentais aos presos - inclusive aos condenados -, mas também de garantir a efetividade da pena e a igualdade material, evitando privilégios incompatíveis com o Estado democrático de Direito.

Veja a decisão.

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