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Investigação

Master: PF questiona imparcialidade de Toffoli e pede análise de Fachin

Gabinete sustentou que a corporação não tem legitimidade para requerer suspeição e falou em “ilações”.

Da Redação

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Atualizado às 07:59

A Polícia Federal encaminhou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, requerimento para que seja analisada a permanência do ministro Dias Toffoli na condução do inquérito que investiga fraudes no Banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central.

O pedido foi apresentado na última segunda-feira, 9, após a corporação informar que encontrou menção ao nome de Toffoli em mensagem no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso, e caberá a Fachin decidir se o ministro continuará na relatoria.

Segundo a PF, a referência ao nome de Toffoli foi localizada no celular de Vorcaro, apreendido durante busca e apreensão. O conteúdo da mensagem está sob segredo de Justiça.

Após ser comunicado, Edson Fachin determinou a abertura de processo interno para análise do pedido e notificou Dias Toffoli para apresentar defesa. A decisão sobre eventual afastamento da relatoria caberá ao presidente do STF.

 (Imagem: Gustavo Moreno/STF)

PF pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspeição de Dias Toffoli na relatoria do inquérito sobre fraudes no Banco Master.(Imagem: Gustavo Moreno/STF)

No mês passado, o ministro passou a ser alvo de críticas por permanecer na condução do inquérito após reportagens apontarem que a PF teria identificado irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. O fundo adquiriu participação no resort Tayayá, no Paraná, que pertencia a familiares de Toffoli.

Em nota, o gabinete do ministro afirmou que a PF não tem legitimidade para requerer a suspeição e classificou o pedido como baseado em “ilações”.

“O gabinete do ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações.

Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil.

Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo ministro ao presidente da Corte."

Já a defesa de Vorcaro afirmou que a divulgação de trechos da apuração provoca “constrangimentos indevidos” e, assim como apontou Toffoli, abre espaço para “ilações” e alimenta narrativas equivocadas.

"A defesa de Daniel Vorcaro manifesta preocupação com o vazamento seletivo de informações, que acaba por gerar constrangimentos indevidos, favorecer ilações e a construção de narrativas equivocadas, além de prejudicar o pleno exercício do direito de defesa. 

O respeito ao contraditório e ao devido processo legal é condição essencial para a correta apuração dos fatos. Tudo o que se espera dos responsáveis pela investigação é que exerçam suas atribuições de forma isenta e imparcial, por se tratarem de representantes do Estado com papel fundamental para a democracia.

A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no regular funcionamento da Justiça, destacando que o esclarecimento completo das questões em análise depende de apuração técnica, equilibrada e conduzida com respeito às garantias fundamentais."

Banco Master

A investigação que apura as supostas fraudes teve como um de seus desdobramentos a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025.

Na ocasião, Daniel Vorcaro e outros investigados foram alvo da ação, que apura a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília, banco público ligado ao governo do Distrito Federal.

De acordo com as investigações, o montante das fraudes pode alcançar R$ 17 bilhões.

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