Toffoli admite ser sócio de empresa que negociou com cunhado de Vorcaro
Manifestação foi divulgada após a PF enviar ao presidente do STF material do celular de Vorcaro com menções ao ministro.
Da Redação
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Atualizado às 09:51
O ministro do STF Dias Toffoli confirmou, em nota, que integra o quadro societário da empresa Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá, em Ribeirão Claro/PR, a um fundo ligado ao cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
O ministro afirmou que declarou os valores recebidos à Receita Federal e negou ter recebido qualquer quantia de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.
Toffoli é relator, no STF, da investigação sobre supostas fraudes na tentativa de compra do Banco Master pelo BRB - Banco de Brasília. A Polícia Federal encaminhou ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, relatório com dados extraídos do celular de Vorcaro, no qual há menções ao nome de Toffoli.
Fachin remeteu o material ao relator para que avalie eventual impedimento.
Na manifestação pública, o ministro não tratou de possível suspeição. Declarou que assumiu a relatoria do caso quando a Maridt já não integrava mais o grupo Tayaya Ribeirão Claro.
Segundo a nota, o ministro "faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro.” O texto acrescenta que, conforme o art. 36 da LC 35/79, lei orgânica da magistratura, o ministro pode participar de sociedade empresária e receber dividendos, sendo vedado apenas exercer atos de gestão.
Ainda de acordo com o comunicado, a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, administrada por familiares do ministro. Toffoli integra o quadro societário e teria recebido somente dividendos, sem desempenhar funções administrativas, conduta que, segundo a nota, é compatível com a legislação.
A empresa permaneceu no grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída ocorreu em duas etapas: em 27 de setembro de 2021, parte das cotas foi vendida ao Fundo Arllen; e, em 21 de fevereiro de 2025, o saldo restante foi alienado à PHD Holding. Conforme a defesa, as operações foram realizadas a valor de mercado.
Leia a nota completa:
"A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.
A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro. Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel."
Banco Master
A investigação que apura as supostas fraudes teve como um de seus desdobramentos a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025.
Na ocasião, Daniel Vorcaro e outros investigados foram alvo da ação, que apura a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, incluindo a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília, banco público ligado ao governo do Distrito Federal.
De acordo com as investigações, o montante das fraudes pode alcançar R$ 17 bilhões.




