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Estupro de vulnerável

Erika Hilton denuncia decisão que validou relação entre homem de 35 anos e menina de 12

Deputada acionou CNJ contra decisão do TJ/MG que reconheceu vínculo afetivo consensual entre as partes.

Da Redação

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Atualizado às 09:56

A deputada Erika Hilton apresentou denúncia ao CNJ contra decisão do TJ/MG que absolveu homem de 35 anos do crime de estupro de vulnerável contra menina de 12, ao reconhecer vínculo afetivo entre as partes. 

Entenda

O caso foi relatado pelo desembargador Magid Nauef Láuar, da 9ª câmara Criminal Especializada do TJ/MG, após recurso do réu, que havia sido condenado em 1ª instância.

Em voto, o magistrado sustentou que o processo apresentava uma situação peculiar, destacando o comportamento da adolescente e o reconhecimento, por ela, de vínculo afetivo com o acusado.

Segundo o relator, a jovem afirmou que pretendia manter o relacionamento ao completar 14 anos, idade mínima prevista na legislação para relações sexuais.

Assim, para o desembargador, eventual punição do homem e da mãe da adolescente configuraria uma “ingerência estatal desproporcional em uma realidade familiar consolidada, com potenciais efeitos deletérios à própria vítima e ao contexto socioafetivo no qual estava inserida”.

No julgamento, a desembargadora Kárin Emmerich apresentou voto divergente. Para a magistrada, a condição de menores de 14 anos como pessoas vulneráveis não pode ser relativizada, independentemente das circunstâncias do caso.

Seu posicionamento, contudo, ficou vencido.

 (Imagem: Mário Agra/Câmara dos Deputados)

Erika Hilton aciona CNJ contra decisão que reconheceu vínculo afetivo entre homem de 35 anos e menina de 12.(Imagem: Mário Agra/Câmara dos Deputados)

"Não há um relacionamento, há um crime"

Nas redes sociais, a parlamentar afirmou que a decisão representa grave afronta à proteção legal assegurada a crianças e adolescentes. Segundo declarou, a legislação brasileira é clara ao reconhecer pessoas abaixo de 14 anos como incapazes para consentir em relações dessa natureza.

A deputada também criticou o fundamento de que haveria formação de núcleo familiar, sustentando que o caso deveria ser enquadrado como estupro de vulnerável.

"Não há família aí, há pedófilo e vítima. E não há um relacionamento, há um crime, de estupro de incapaz", destacou.

 (Imagem: Reprodução/X)

Erika Hilton anuncia denúncia contra desembargadores que absolveram homem de 35 anos que se relacionou com menina de 12.(Imagem: Reprodução/X)

Repercussão política

Do outro lado do espectro político, Nikolas Ferreira igualmente manifestou repúdio ao resultado do julgamento. O parlamentar defendeu a responsabilização criminal do acusado e afirmou que a interpretação adotada pelo colegiado transmite sinal equivocado à sociedade. 

Confira

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"Um mês de relacionamento, um homem de 35 anos, uma criança de 12, um traficante, usuário de droga, que foi pego usando droga na frente da menina, tirou ela da escola, e isso virou construção de família. E o pior de tudo, a mãe sabia, a mãe aceitou, a menina já tinha sido exposta a outros homens adultos antes, já vinha de um ambiente completamente destruído", declarou.

Para o deputado, a decisão é como uma permissão pública da União para “normalizar o abuso”: "Qual é o recado para o restante? Que basta chamar qualquer coisa de família que a lei deixa de valer? Eu espero sinceramente que isso seja revisto nas instâncias superiores".

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