Morre, aos 96 anos, o filósofo alemão Jürgen Habermas
Estudioso influenciou debates sobre democracia, esfera pública e legitimidade do Direito.
Da Redação
sábado, 14 de março de 2026
Atualizado às 14:43
Morreu neste sábado, 14, aos 96 anos, o filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, um dos pensadores mais influentes do século XX e referência mundial nos debates sobre democracia, comunicação e teoria social.
O falecimento ocorreu em Starnberg, nos arredores de Munique, na Alemanha, conforme informou a editora Suhrkamp Verlag, responsável por grande parte de sua obra.
Habermas era amplamente reconhecido como um dos principais representantes da segunda geração da Escola de Frankfurt, tradição intelectual dedicada à chamada Teoria Crítica, que analisa as estruturas sociais e políticas da modernidade.
Ao longo de mais de sete décadas de produção intelectual, suas ideias influenciaram profundamente áreas como filosofia política, sociologia, ciência política e teoria do Direito, especialmente nos debates sobre legitimidade democrática e deliberação pública.
Pensador central da democracia
Entre suas contribuições mais conhecidas está a teoria da ação comunicativa, apresentada em obra publicada em 1981, na qual defende que as sociedades democráticas devem buscar consensos por meio do diálogo racional e do “melhor argumento”, e não pela imposição do poder.
Habermas também ganhou notoriedade com obras como "A transformação estrutural da esfera pública", "Conhecimento e interesse" e "Direito e Democracia: entre facticidade e validade", nas quais analisou a formação da opinião pública e a relação entre normas jurídicas e legitimidade democrática.
Suas reflexões sobre linguagem, racionalidade e participação política influenciaram debates jurídicos e institucionais em diversos países, tornando-o referência teórica para estudos sobre Estado democrático de Direito e processos deliberativos.
Formação e carreira
Nascido em 18 de junho de 1929, em Düsseldorf, na Alemanha, Habermas estudou filosofia, história, economia, literatura alemã e psicologia nas universidades de Göttingen, Zurique e Bonn, onde concluiu o doutorado em filosofia em 1954.
Posteriormente, trabalhou no Instituto de Pesquisas Sociais da Universidade de Frankfurt, ao lado de pensadores como Theodor Adorno, e consolidou sua carreira acadêmica em universidades como Heidelberg e Frankfurt, além de atuar em instituições internacionais.
Também dirigiu o Instituto Max Planck para o Estudo das Condições de Vida no Mundo Científico-Técnico, em Starnberg, onde desenvolveu parte relevante de sua obra teórica.




