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Mudanças estruturais

Flávio Dino propõe nova reforma do Judiciário e recebe apoio de Fachin

Ministro aponta morosidade, fraudes e excesso de processos e propõe mudanças "sérias e profundas" para tornar o Judiciário mais ágil, eficiente e confiável.

Da Redação

terça-feira, 21 de abril de 2026

Atualizado às 20:01

O ministro Flávio Dino, do STF, defendeu a realização de nova reforma do Judiciário, 22 anos após a emenda constitucional 45/04, último grande marco de reestruturação do sistema de Justiça brasileiro. A proposta foi apresentada em artigo publicado ontem no portal ICL Notícias e divulgada em suas redes sociais nesta terça-feira, 22.

Segundo o ministro, o país precisa de mudanças “sérias e profundas” para enfrentar problemas estruturais como morosidade, fraudes, tentativas de influência sobre decisões judiciais, e ausência de regras mais claras para temas recentes, como o uso de inteligência artificial.

Veja o post:

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Dino sustentou que a reforma deve ser construída de forma participativa, com envolvimento dos órgãos do sistema de Justiça e de entidades representativas. Ao tratar do tema, ressaltou que mudanças impostas “de fora para dentro” marcaram o período autoritário, em referência ao AI-5, que levou à "degola injusta dos cargos de três ministros: Hermes Lima, Victor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva".

Nesse sentido, o ministro afirmou que a reforma não deve atender a impulsos punitivistas nem a “slogans fáceis”, mas sim fortalecer o sistema de Justiça.

"Ao contrário de caminhos marcados por constrangimentos autoritários, as reformas devem vir para FORTALECER o sistema de Justiça, e não para suprimir as virtudes que o tornaram capaz de concretizar os direitos constitucionais, controlar abusos de poder e sustentar a democracia – inclusive contra o império das fake news e contra agressões de pessoas com armas na cintura."

Diagnóstico do Judiciário

Dino ressaltou a complexidade do Judiciário brasileiro. Segundo dados citados pelo ministro, havia 75,5 milhões de processos pendentes de julgamento até fevereiro de 2026.

O ministro apontou gargalos estruturais, como a morosidade em diferentes tipos de processos, destacando a longa duração das execuções fiscais — que superam, em média, sete anos —, além da demora no julgamento de ações de improbidade administrativa e de crimes graves.

"São problemas graves que perpassam todos os segmentos do Poder Judiciário e das funções essenciais à administração da Justiça (Ministério Público, Advocacia Pública e Privada, Defensorias, assessores e demais servidores). Com efeito, se há “vendas” reais ou fictícias, exploração de prestígio, vazamentos indevidos, comércio de minutas de decisões, é sinal de que há um amplo mercado profissional que “compra” e efetua intermediações ilegais."

Eixos da proposta

A proposta reúne um conjunto de medidas voltadas à eficiência, controle e modernização do sistema de Justiça. Entre os principais pontos, estão:

  • requisitos processuais para acesso recursal aos Tribunais superiores, especialmente ao STJ;
  • regras mais rígidas para precatórios, com combate a fraudes;
  • instâncias mais especializadas e ágeis, em todos os Tribunais, para julgamento de processos sobre crimes contra a pessoa, crimes contra a dignidade sexual, bem como dos atos de improbidade administrativa;
  • ética, deveres e regime disciplinar das carreiras jurídicas, suprimindo institutos arcaicos como “aposentadoria compulsória punitiva”;
  • rito próprio para revisão judicial de decisões de agências reguladoras;
  • endurecimento penal para crimes contra a administração da Justiça;
  • previsão de julgamentos disciplinares conjuntos em casos envolvendo diferentes carreiras;
  • mudanças na tramitação de ações na Justiça Eleitoral;
  • revisão das competências e da composição do CNJ e do CNMP;
  • definição de critérios para sessões virtuais;
  • revisão das competências do STF e dos tribunais superiores;
  • exigência de presença física de membros do sistema de Justiça nas unidades de atuação;
  • criação de limites para o uso de inteligência artificial no Judiciário;
  • ampliação da transparência sobre fundos e honorários da advocacia pública;
  • medidas de desjudicialização, especialmente em execuções fiscais.

Apoio no STF

A proposta recebeu apoio do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que classificou o artigo como uma reflexão “oportuna e bem estruturada” sobre a necessidade de aperfeiçoamento do Judiciário.

Em nota, Fachin afirmou que a iniciativa contribui para o debate público ao propor soluções baseadas em eficiência, transparência e fortalecimento da confiança nas instituições, além de destacar o equilíbrio entre independência judicial e mecanismos de controle.

Para o presidente do Supremo, o texto de Dino evita simplificações e oferece base consistente para a construção de consensos institucionais.

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