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Falha na IA

IA falha ao degravar audiência e leva juiz a errar valores devidos a trabalhador

Após conferir a gravação, juiz corrigiu a sentença e elevou a condenação.

Da Redação

terça-feira, 28 de julho de 2026

Atualizado às 17:32

Erro de inteligência artificial na degravação de audiência levou a erro na fixação de valor devido a trabalhador em ação trabalhista. 

Transcrição automatizada registrou equivocadamente que premiações prometidas por empresa variavam de R$ 800 a R$ 1 mil, quando, na realidade, o empregado havia declarado em depoimento que os valores ficavam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil.

Ao identificar a divergência, o juiz substituto Carlos Arthur de Macedo Figueiredo, da 10ª vara do Trabalho de Maceió/AL, acolheu recurso para corrigir a sentença. O magistrado ressaltou que a degravação realizada por inteligência artificial constitui apenas um instrumento auxiliar, devendo prevalecer sempre a gravação audiovisual, que representa a prova efetivamente produzida nos autos. 

Entenda o caso

O trabalhador ajuizou ação para cobrar diferenças relativas a premiações mensais oferecidas pela empregadora em campanhas de merchandising. Segundo alegou, a empresa prometia pagar entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil por campanha, mas ele recebia, quando muito, R$ 100.

Ao julgar o processo, o magistrado utilizou a degravação automática da audiência como base para definir o valor das premiações. Como a transcrição indicava que os pagamentos prometidos variavam entre R$ 800 e R$ 1 mil, a sentença fixou a média em R$ 900. Após descontar os R$ 100 que o próprio trabalhador admitiu receber eventualmente, a empresa foi condenada ao pagamento de R$ 800 mensais a título de diferenças.

Inconformado, o empregado apresentou recurso, sustentando que a degravação continha erro material. Segundo alegou, a gravação audiovisual da audiência demonstrava que ele havia informado que as premiações prometidas variavam de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil, e não de R$ 800 a R$ 1 mil, como constou na transcrição produzida por inteligência artificial.

 (Imagem: Freepik)

Após falha de IA na degravação de audiência, juiz erra ao calcular valores a trabalhador.(Imagem: Freepik)

Erro influenciou a sentença

Ao conferir a gravação da audiência, o magistrado verificou que a degravação realmente divergia do depoimento original prestado pelo trabalhador.

Para o juiz, o equívoco da transcrição repercutiu diretamente na fundamentação da sentença, uma vez que levou à fixação de uma média inferior à efetivamente informada em audiência.

Na decisão, ele ressaltou que a degravação produzida por inteligência artificial não substitui a prova audiovisual.

"A degravação de audiência, quando realizada por sistema automatizado de inteligência artificial, constitui mero instrumento auxiliar de consulta, não prevalecendo sobre o conteúdo original da gravação audiovisual, que é a prova efetivamente produzida."

Diante do erro, o juiz recalculou a média das premiações prometidas para R$ 1.250. Descontados os R$ 100 que o trabalhador admitiu receber ocasionalmente, a diferença mensal devida passou de R$ 800 para R$ 1.150. 

Leia a sentença.

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