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Solução negociada

Fux mantém negociações sobre acordo para reforço financeiro do BRB

Em audiência de mediação, ministro ouviu representantes do poder público e do sistema financeiro e informou que aguardará o avanço das tratativas para viabilizar a operação de aporte de capital no Banco de Brasília.

Da Redação

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Atualizado às 09:58

O ministro Luiz Fux, do STF, conduziu na quinta-feira, 13, audiência de mediação para discutir uma solução consensual voltada ao reforço financeiro do Banco de Brasília – BRB. Participaram da reunião representantes do Distrito Federal, da União, do Fundo Garantidor de Créditos – FGC, do Banco Central, do Ministério Público Federal, do Banco do Brasil e do próprio BRB.

Ao fim da audiência, os participantes avaliaram que as tratativas devem continuar antes da definição de uma solução. Relator da ACO 3.755, Fux considerou útil a manutenção das negociações e informou que aguardará o avanço das conversas nos autos.

 (Imagem: Gustavo Moreno/STF)

STF: Fux conduz audiência de mediação e mantém negociações por solução consensual para reforço financeiro do BRB.(Imagem: Gustavo Moreno/STF)

Acordo homologado em maio

As discussões dão continuidade às tratativas iniciadas em maio no STF. Em 28 de maio, Fux homologou acordo entre União, Distrito Federal, Banco Central e BRB destinado a viabilizar uma operação de crédito para reforçar financeiramente a instituição bancária distrital.

O entendimento foi alcançado durante a segunda audiência de conciliação realizada no Supremo, após o início das tratativas dois dias antes.

Pelo modelo homologado, ficou autorizada a contratação, pelo Distrito Federal, de operação de crédito junto ao FGC, com recursos destinados exclusivamente ao aporte de capital no BRB. A operação seria garantida por fiança de um sindicato de bancos e teria como contragarantia verbas relacionadas ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal – FPE e ao Fundo de Participação dos Municípios – FPM, sem aval da União.

O STF autorizou a contratação em valor equivalente a até 16% da Receita Corrente Líquida do Distrito Federal, observados os parâmetros da resolução 43/01 do Senado Federal. Também foi autorizada a vinculação e a cessão das quotas referentes ao FPE e ao FPM às instituições garantidoras em caso de inadimplência do Distrito Federal.

Na ocasião, as partes informaram que as negociações haviam avançado e relataram sinalização favorável do FGC e das instituições financeiras envolvidas quanto à concessão do crédito. O BRB afirmou, ainda, que já havia preparado plano de negócios para formalizar a operação perante o Fundo.

O acordo também previu compromissos fiscais para o Distrito Federal, entre eles a adoção das vedações constitucionais relativas ao controle de despesas previstas no art. 167-A da Constituição e o envio periódico de informações ao STF e à Secretaria do Tesouro Nacional sobre o cumprimento das obrigações assumidas.

Ficou estabelecido, ainda, que eventuais valores recebidos pelo DF em ações judiciais ou acordos relacionados a prejuízos causados ao BRB seriam destinados prioritariamente à quitação da operação.

O acompanhamento, a supervisão e a fiscalização do acordo permaneceram vinculados à própria ACO 3.755, sob supervisão do STF. Eventuais controvérsias relacionadas à execução do ajuste também permaneceriam submetidas ao Supremo.

Pontos ainda pendentes

Na audiência desta quinta-feira, 13, os participantes discutiram as razões pelas quais o modelo estabelecido nas tratativas de maio ainda não havia sido concretizado.

Entre os pontos considerados relevantes para o prosseguimento das negociações estão a segurança das garantias oferecidas às instituições financeiras em eventual inadimplência e a apresentação das informações necessárias à análise do plano de negócios do BRB.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, afirmou que o governo distrital cumpriu os compromissos assumidos e defendeu a viabilidade da operação.

Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que tem atuado para aproximar os envolvidos nas tratativas, mas reiterou a posição contrária à concessão de aval pelo governo Federal.

Representando o FGC, Daniel Lima afirmou que eventual operação de assistência depende da análise de governança e da apresentação, pelo BRB, da documentação necessária.

O diretor jurídico do Banco do Brasil, Alexandre Nunes, informou que a instituição tem colaborado na interlocução com outros bancos, mas esclareceu que não lidera o grupo de instituições financeiras envolvidas nas discussões.

Por sua vez, o procurador-geral do Banco Central, Cristiano Cozer, ressaltou que caberá à instituição examinar eventual proposta concreta de acordo com as regras legais e seus procedimentos de governança.

Busca por consenso

O procurador regional da República Ubiratan Cazetta também defendeu a continuidade das tratativas, mas ponderou que o acordo homologado em maio delineou um caminho para as negociações, sem obrigar o FGC ou as instituições financeiras a concretizar a operação.

Ao encerrar a audiência, Fux destacou que a mediação permite ouvir as diferentes posições antes de eventual decisão judicial e questionou os participantes sobre a conveniência de prosseguir nas negociações em busca de uma solução financeira viável.

Diante da disposição dos participantes em continuar as conversas, Fux informou que aguardará o avanço das tratativas nos autos.

Informações: STF.

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