1) Em nosso idioma, existem normas de correlação, de correspondência temporal ou, ainda, de consecução dos tempos verbais, que determinam a harmonização quanto ao uso dos tempos dos verbos.
2) De modo mais prático, isso significa que o uso de um primeiro verbo exige que o segundo verbo vá para um determinado tempo. Vejam-se os seguintes exemplos:
a) "Se é clara, a lei dispensa interpretação";
b) "Se for clara, a lei dispensará interpretação;
c) "Se fosse clara, a lei dispensaria interpretação".
3) Muitas vezes, nos dias de hoje, perde-se de vista esse paralelismo das formas verbais e se redige: "Há dias que não se trabalhava"; "Ela estava casada há dois meses". Corrija-se:
a) "Há dias que não se trabalha";
b) "Havia dias que não se trabalhava";
c) "Ela está casada há dois meses";
d) "Ela estava casada havia dois meses".
4) Como ensinam os gramáticos, a falta de simultaneidade de tempos nessas proposições configura verdadeiro galicismo (estrutura do idioma francês não aceita em nossa língua), como nos seguintes exemplos:
a) "É isso que me incomodou" (errado);
b) "Foi isso que me incomodou" (correto);
c) "É Jesus quem dizia..." (errado);
d) “Foi Jesus quem dizia...” (correto).
5) De modo específico para o caso da consulta, não se diga "O que ele quis é poupar...", mas "O que ele quis foi poupar..."