Gramatigalhas

Cediço ou sediço

C ou s? José Maria da Costa explica.

30/7/2008

1) Um leitor relata haver encontrado, em texto de determinado jurista, a grafia sediço – e não cediço, como é o costume – com o significado de corriqueiro, e indaga acerca da maneira correta de escrever o vocábulo. Acrescenta que um conhecido dicionarista, embora apontando cediço como forma correta, defendeu também a possibilidade de emprego de sediço.

2) Observe-se, por primeiro, que não há consenso acerca da origem do mencionado vocábulo, e há base histórica para afirmar seu étimo com c ou com s inicial, como bem explica Antônio Houaiss em seu dicionário.1

3) Não se esqueça, entretanto, que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado pela Academia Brasileira de Letras, ordena que se escreva cediço2 e não apresenta possibilidade alguma da grafia sediço.

4) Acresça-se que a Academia Brasileira de Letras é o órgão que detém a delegação legal para determinar oficialmente a grafia das palavras em nosso léxico. Sua maneira de entender, assim, é a palavra oficial no idioma, e, desse modo, descabe toda e qualquer discussão acerca de outras possibilidades de uso dos mencionados vocábulos na atualidade.

5) Também é oportuno observar que os dicionaristas podem polemizar a grafia mais adequada para um vocábulo, de acordo com a etimologia, e até mesmo preconizar o emprego desta ou daquela forma. Sua palavra, todavia, pode ter valor de discussão científica, mas de nada servirá perante a posição manifestada pela ABL em seu VOLP. Quando muito, os dicionaristas e os estudiosos poderão fornecer elementos para futura mudança de postura por parte da ABL.

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1Cf. HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, p. 665.

2Cf. Academia Brasileira de Letras, Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 4. ed., 2004. Rio de Janeiro: Imprinta, p. 168.

 

Colunista

José Maria da Costa é graduado em Direito, Letras e Pedagogia. Primeiro colocado no concurso de ingresso da Magistratura paulista. Advogado. Mestre e Doutor em Direito pela PUC/SP. Ex-Professor de Língua Latina, de Português do Curso Anglo-Latino de São Paulo, de Linguagem Forense na Escola Paulista de Magistratura, de Direito Civil na Universidade de Ribeirão Preto e na ESA da OAB/SP. Membro da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas. Sócio-fundador do escritório Abrahão Issa Neto e José Maria da Costa Sociedade de Advogados.

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