Migalhas de Peso

O profissional do "tax do futuro" não chega pronto: Ele se estrutura

O “profissional de tax do futuro” já é uma demanda do presente: não basta dominar regras, é preciso conectar tributação ao negócio, aos processos, aos dados e às pessoas.

20/1/2026
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A discussão sobre “profissional do futuro” em tax, em minha percepção, deixou de ser futurismo faz tempo. Virou pauta de sobrevivência e, principalmente, de protagonismo. Porque o que está acontecendo com a reforma tributária, a digitalização fiscal e a sofisticação das fiscalizações não está só mudando a legislação; está mudando a forma como as empresas tomam decisões, gerenciam riscos e protegem margem.

Levo comigo uma máxima que norteia tudo isso: o profissional de tax do futuro não é apenas alguém que “sabe imposto”. É alguém que conecta imposto com negócio, processo, dados e pessoas. E essa conexão, na prática, é o que transforma a área tributária em uma agenda de valor e não apenas em uma agenda de conformidade.

Conformidade continua sendo o mínimo inegociável, mas não pode ser o teto. A régua subiu. O tax do futuro precisa olhar para tributos como variável de eficiência operacional e de proteção de margem. Precisa estar presente nas discussões de contrato, precificação, logística, compras, tecnologia e planejamento. Precisa influenciar a estrutura antes do fato gerador acontecer, e não atuar apenas no pós, tentando “consertar” o que já virou custo, risco ou retrabalho.

Existe uma tentação comum de achar que transformação é sinônimo de “implantar ferramenta”. E, categoricamente, não é. Ferramenta sem processo só acelera o erro. O futuro do tax depende de capacidade de mapear e redesenhar processos ponta a ponta, da entrada e do cadastro ao recebimento, escrituração, apuração, obrigações acessórias, auditoria e defesa. Isso exige método, exige esteira, exige clareza de papéis e responsabilidade. E é aqui que entra uma maturidade que, hoje, separa quem tem controle de quem vive apagando incêndio: governança.

Governança, no dia a dia, não é discurso. É comitê que funciona, checkpoint que vira rotina, validações bem definidas, trilhas de evidência, indicadores de saúde do processo e capacidade de sustentar padrão. É o que faz a área ser previsível, escalável e respeitada dentro da companhia, porque entrega consistência, não só esforço.

Tax sempre foi técnico, mas agora é técnico e analítico. Dados viraram competência-base, não diferencial. O profissional do futuro entende bases, cruza informações, acompanha qualidade do dado, cria controles e monitora exceções para direcionar o time onde risco e impacto realmente estão. Não é sobre “virar TI”. É sobre dominar o suficiente para conversar com TI, pedir certo, validar certo e, principalmente, traduzir o impacto para o negócio com objetividade.

E tem um ponto que eu considero subestimado: comunicação virou competência central. O profissional do futuro, que na prática já é o profissional de agora, consegue conduzir conversas difíceis, inclusive quando envolvem risco e dinheiro. Posiciona prioridades, negocia prazos com áreas parceiras e sustenta decisões com clareza. Porque, no fim, não adianta estar certo se você não consegue engajar as pessoas para executar o certo.

A área fiscal e tributária do futuro não escala apenas com mais gente; ela escala com capacitação, padronização e aprendizado contínuo. E, para mim, isso é sensível: não existe transformação de tax sem investimento em pessoas. Se eu tivesse que resumir, eu diria que o “kit do futuro” passa por técnica sólida com visão de risco e impacto, domínio de processos e controles, leitura de dados e fluência em tecnologia e ERP suficiente para conectar as pontas, entendimento real do negócio e uma comunicação que sustenta posicionamento. Somado a isso, uma mentalidade genuína de melhoria contínua: aprender rápido, testar, ajustar, documentar e evoluir, não como discurso, mas como prática.

Para mim, o “profissional do futuro” não é aquele que acumula mais artigos, mais siglas ou mais exceções. É aquele que transforma conhecimento em decisão e decisão em execução, com governança, clareza e impacto. E esse futuro já começou. A pergunta é: a gente vai assistir a mudança acontecer ou vai conduzir a mudança por dentro?

E, se você tivesse que escolher uma prioridade para os próximos 90 dias, qual seria a virada mais urgente: fortalecer governança, elevar a qualidade do dado ou ganhar voz nas decisões do negócio?

Autor

Talita Fernandes Profissional com experiência em otimização fiscal e eficiência operacional, liderando a área fiscal na Cimento Apodi.

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