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Vibe law: A mudança que começou no Vale do Silício e vai chegar ao Brasil

Nos Estados Unidos cresce a tese de que o trabalho jurídico puramente operacional perdeu valor econômico. É questão de tempo até essa discussão desembarcar por aqui.

10/6/2026
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Há uma discussão crescendo no ecossistema de tecnologia americano que ainda não chegou com força ao Brasil, mas que vai chegar. Vozes ligadas ao legal ops, entre elas Mary O’Carroll, vêm sustentando uma tese desconfortável: o trabalho jurídico puramente operacional perdeu valor econômico.

A ideia ganhou um apelido no Vale: vibe law. Uma provocação direta à forma como boa parte do trabalho jurídico ainda é organizada e cobrada.

Trago essa discussão de propósito. Não para importar modismo, mas porque acredito que ela antecipa um movimento que vai redesenhar o jurídico brasileiro nos próximos anos.

O que é "vibe law"

A expressão nasce em paralelo ao "vibe coding", a prática de programar descrevendo a intenção e deixando a IA executar. A transposição para o direito carrega a mesma lógica: boa parte da execução jurídica operacional pode ser orquestrada por quem sabe o que pedir, sem precisar fazer manualmente cada etapa.

O argumento não diz que o direito acabou. Diz que o pedaço operacional do direito, revisar a centésima minuta padrão, conferir prazo, comparar versões, organizar obrigação, deixou de justificar o custo de uma hora de advogado.

É uma afirmação dura. E, justamente por ser dura, vale encarar de frente.

Por que isso importa para o Brasil

Alguém pode argumentar que o mercado brasileiro é diferente, mais formal, mais litigioso, mais apegado ao operacional. É verdade. Mas defasagem não é imunidade.

O que começa no Vale do Silício costuma chegar aqui com alguns anos de atraso e o mesmo impacto. Aconteceu com a automação de back office, com o digital nos bancos, com o SaaS substituindo o software instalado. Vai acontecer com o jurídico operacional.

A pergunta para quem lidera um departamento ou um escritório no Brasil não é "isso vai acontecer". É "quero chegar nessa virada como protagonista ou como retardatário".

O trabalho operacional perdeu valor (e tudo bem)

Soa ameaçador, mas não precisa ser. A história do trabalho é uma sucessão de tarefas que perderam valor à medida que ficaram automatizáveis. Ninguém sente saudade de calcular folha de pagamento à mão.

Com o jurídico não será diferente. Quando o operacional sai da conta, o que sobra é o trabalho de maior valor: julgamento, estratégia, negociação, leitura de risco. Exatamente a parte que justifica a formação de um advogado.

O profissional que se define pela execução operacional vai sentir a pressão. O que se define pela capacidade de decidir e orientar vai ganhar espaço.

A infraestrutura que sustenta a virada

Uma tese sem infraestrutura é só discurso. O que torna a vibe law possível não é o entusiasmo com IA. É a existência de uma camada de software capaz de assumir o operacional de forma confiável.

No campo dos contratos, isso significa uma infraestrutura de agentes de IA com contexto jurídico real, capaz de ler, revisar, monitorar e sinalizar ao longo de todo o ciclo, da elaboração à gestão pós-assinatura. É exatamente esse tipo de infraestrutura que estamos construindo, e que será apresentada ao mercado em junho.

Sem essa base, a vibe law fica no campo da retórica. Com ela, vira rotina operacional.

O que isso exige de quem lidera o jurídico

A virada não cobra uma decisão de tecnologia. Cobra uma decisão de posicionamento.

Quem lidera precisa decidir onde quer que a sua equipe gaste tempo. Se a resposta ainda for "conferindo minuta padrão e organizando prazo na planilha", o problema não é a falta de IA. É a definição do que se entende por trabalho jurídico.

A vibe law está começando lá fora. Vai chegar aqui. E quando chegar, vai separar os profissionais que usaram a tecnologia para subir de nível dos que insistiram em competir com a máquina no que ela faz melhor. Eu prefiro estar no primeiro grupo. E acho que você também.

Autor

Bruno Doneda Fundador e CEO da Contraktor, formado em Direito e Tecnologia, atua especialmente nas frentes de vendas e marketing.

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