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Credencial da FIFA não é visto! O visto "I" e o alerta para jornalistas na Copa de 2026

Vai cobrir a copa de 2026 nos EUA? Cuidado: a credencial da FIFA não garante sua entrada no país. Descubra o erro migratório que já está barrando profissionais da mídia.

16/6/2026
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A Copa do Mundo de 2026 está movimentando milhões de pessoas, gerando oportunidades comerciais bilionárias e atraindo profissionais de mídia de todas as partes do mundo. Jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas, influenciadores digitais, produtores de conteúdo e equipes de marketing desembarcam diariamente nos Estados Unidos para cobrir o maior evento esportivo do planeta.

Mas, longe dos gramados e das arquibancadas lotadas, uma realidade tem chamado a atenção nos bastidores da imigração americana: profissionais credenciados para a Copa estão sendo submetidos a longas inspeções em aeroportos, tendo seus equipamentos analisados e, em alguns casos, sendo impedidos de entrar no país.

O motivo é mais simples do que muitos imaginam: possuir uma credencial da FIFA não significa possuir autorização migratória para trabalhar nos Estados Unidos.

E é justamente aí que mora o perigo.

O erro que pode custar a cobertura da Copa

Todos os anos, milhares de profissionais acreditam que um visto de turismo (B1/B2) ou até mesmo a simples autorização de viagem (ESTA) é suficiente para participar de eventos internacionais.

Durante a Copa de 2026, esse equívoco tem se tornado ainda mais frequente.

Muitos jornalistas independentes, videomakers, produtores de documentários, podcasters e criadores de conteúdo receberam credenciamento oficial para acessar estádios, centros de treinamento e coletivas de imprensa. Outros foram contratados por marcas, patrocinadores ou veículos de comunicação para produzir conteúdo relacionado ao torneio.

O problema é que o credenciamento esportivo e a autorização migratória são coisas completamente diferentes.

Para o governo americano, o que importa não é apenas onde você estará, mas principalmente o que você fará em território americano. Se a sua viagem envolve atividade jornalística, produção de conteúdo informativo ou cobertura profissional de eventos, a análise migratória pode ser muito diferente daquela aplicada a um simples turista.

O que é o visto "I" e quem realmente precisa dele?

O visto "I" foi criado especificamente para representantes de meios de comunicação estrangeiros.

A categoria contempla profissionais que trabalham para organizações de mídia sediadas fora dos Estados Unidos, incluindo: jornalistas, repórteres, fotógrafos, cinegrafistas, equipes de documentários, editores, produtores de conteúdo jornalístico, e profissionais de rádio, televisão e mídia digital.

A legislação americana é clara ao estabelecer que representantes da mídia estrangeira que viajarão aos Estados Unidos para exercer sua profissão devem possuir o visto apropriado, mesmo que sejam cidadãos de países participantes de programas de isenção de visto.

Na prática, isso significa que o foco da análise não está apenas no cargo que a pessoa ocupa, mas na natureza da atividade que será realizada durante a viagem.

Os criadores de conteúdo

Se há alguns anos a discussão era limitada a jornalistas tradicionais, hoje ela alcança um grupo muito maior.

A ascensão das redes sociais transformou influenciadores, youtubers, podcasters e produtores independentes em verdadeiros veículos de comunicação. E as autoridades migratórias sabem disso.

Um criador de conteúdo que viaja para produzir entrevistas, cobrir partidas, acompanhar bastidores, realizar transmissões ou gerar conteúdo informativo para seu público pode acabar sendo enquadrado de forma semelhante a um profissional da imprensa tradicional.

O mesmo ocorre com videomakers, freelancers e equipes contratadas por marcas para documentar a participação de atletas, patrocinadores ou delegações durante o evento.

Em muitos casos, a simples alegação de que se trata de um "influenciador digital" não afasta a necessidade do visto "I".

Os riscos de utilizar um visto de turismo

É justamente aqui que surgem os maiores problemas.

O visto B1/B2 foi criado para turismo, negócios limitados e atividades específicas autorizadas pela legislação migratória.

Ele não autoriza o exercício de atividades profissionais típicas da mídia.

Quando um viajante entra nos Estados Unidos como turista, mas carrega equipamentos profissionais, cronogramas de gravação, contratos de publicidade ou pautas de cobertura jornalística, o risco de questionamento aumenta significativamente.

Caso as autoridades concluam que a pessoa pretende trabalhar em atividade incompatível com o visto apresentado, as consequências podem ser severas. Entre elas o cancelamento imediato do visto, recusa de entrada no país, e dificuldades futuras para obtenção de novos vistos.

Em situações mais graves, o viajante pode enfrentar períodos prolongados de impedimento para retornar aos Estados Unidos.

Por que a fiscalização está mais rigorosa durante a Copa?

Grandes eventos internacionais sempre geram aumento na fiscalização migratória.

No entanto, a Copa do Mundo de 2026 ocorre em um cenário particularmente sensível para as autoridades americanas. O governo dos Estados Unidos tem investido cada vez mais em mecanismos de análise de risco, verificação documental e fiscalização eletrônica.

Na prática, isso significa que o oficial de imigração não avalia apenas o passaporte e o visto. Dependendo das circunstâncias, podem ser analisados e-mail profissionais, equipamentos, perfis em redes sociais, reservas relacionadas ao trabalho.

Quando existe incompatibilidade entre o motivo declarado da viagem e as evidências encontradas, o resultado costuma ser uma inspeção secundária aprofundada.

A importância da documentação correta

Outro ponto que tem gerado dificuldades é a falta de documentação adequada.

O visto "I" exige que o profissional demonstre vínculo legítimo com uma organização de mídia estrangeira ou com um projeto jornalístico compatível com a categoria.

Por isso, cartas de empregador, contratos de prestação de serviços, credenciais profissionais e documentos que descrevam detalhadamente a atividade a ser realizada tornaram-se peças fundamentais do processo.

Pedidos apresentados às pressas, sem organização documental ou com informações inconsistentes, enfrentam maiores riscos de atrasos, exigências adicionais e até negativas.

E durante um evento com datas fixas como a Copa do Mundo, um atraso de poucas semanas pode significar perder completamente a oportunidade de cobertura.

Conclusão

Cobrir uma Copa do Mundo representa o auge da carreira para muitos profissionais e uma oportunidade estratégica para inúmeras agências e empresas de mídia.

Mas existe uma diferença fundamental que não pode ser ignorada: a credencial da FIFA abre as portas dos estádios; quem abre as portas dos Estados Unidos é o visto correto.

Em um cenário de fiscalização cada vez mais rigorosa, confiar apenas no credenciamento esportivo ou tentar utilizar um visto de turismo para exercer atividades jornalísticas pode colocar em risco contratos, patrocínios, investimentos e a própria reputação profissional. Planejamento migratório deixou de ser um detalhe burocrático. Hoje, ele faz parte da estratégia da cobertura.

Se sua agência enviará profissionais para os Estados Unidos ou se você é um jornalista, videomaker, produtor ou criador de conteúdo com projetos confirmados para a Copa do Mundo de 2026, não deixe que uma questão migratória comprometa meses de planejamento.

Autor

Maiara Dias Advogada e Consultora Jurídica de Direito Estrangeiro. Especialista em Direito de Família Internacional e Imigracao nos EUA, Mestre em Direito Internacional pela Stetson Law University na Florida.

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