As eleições se aproximam e, diante dos eventos climáticos extremos que já afetam diferentes regiões do Brasil, uma pergunta precisa estar no centro da escolha do eleitor: a candidata ou o candidato ao governo do estado está preparado para prevenir riscos, proteger a população e promover desenvolvimento sustentável?
Mais do que discursos e promessas de campanha, existe um documento que merece a atenção de toda a sociedade: o plano de governo. É nesse documento que são apresentadas as prioridades, as diretrizes e a visão de gestão para os próximos anos. Por isso, precisa ser analisado com atenção, especialmente em temas relacionados à sustentabilidade, à prevenção de riscos, à adaptação climática e à boa governança.
Diante dos desafios ambientais, sociais e econômicos que os estados brasileiros já enfrentam, ESG deixa de ser uma agenda restrita ao setor privado e passa a ser também uma ferramenta estratégica para a administração pública.
Prevenção e planejamento: Pilares de uma boa gestão
Enchentes, secas, deslizamentos, incêndios, ondas de calor e outros eventos extremos não provocam apenas danos ambientais. Eles afetam a saúde, a infraestrutura, o abastecimento de água e alimentos, a economia, os empregos e a vida de milhares de pessoas. Quando uma tragédia acontece, o poder público precisa socorrer a população, reconstruir estradas, pontes, escolas e hospitais, recuperar serviços e destinar recursos emergenciais. Por isso, prevenir é mais eficiente do que remediar.
Investir em planejamento urbano, monitoramento de áreas de risco, sistemas de alerta, fortalecimento da Defesa Civil, proteção dos recursos hídricos, infraestrutura resiliente e preparação da rede de saúde pode reduzir significativamente os riscos e os custos das respostas emergenciais. Cada área de risco mapeada, cada sistema de alerta fortalecido e cada política de adaptação implementada pode representar menos perdas humanas, menos gastos emergenciais e mais segurança para a população.
A boa gestão pública não deve esperar o desastre acontecer para agir. A assertividade está na prevenção, e governar também é antecipar riscos.
E que fique claro: ESG também é responsabilidade do poder público e não deve ser visto apenas como uma agenda das empresas. Na administração pública, seus princípios são fundamentais. O aspecto ambiental envolve proteger recursos naturais, prevenir riscos e preparar o estado para os efeitos das mudanças climáticas. O aspecto social abrange proteger vidas, reduzir vulnerabilidades e garantir que a população tenha acesso à saúde, à segurança, à água e a serviços públicos de qualidade. Já a governança é planejar, estabelecer metas, utilizar dados, acompanhar resultados e aplicar os recursos públicos com responsabilidade e transparência.
Quando esses pilares são incorporados à gestão pública, a sustentabilidade deixa de ser apenas um discurso e passa a fazer parte das decisões que determinam o futuro de um Estado.
ESG e ODS: Desenvolvimento sustentável também é estratégia econômica
Os ODS - Objetivos de Desenvolvimento Sustentável oferecem importantes referências para essa construção. Saúde, água e saneamento, redução das desigualdades, cidades sustentáveis, desenvolvimento econômico, proteção ambiental e instituições eficientes são temas que fazem parte da realidade dos estados brasileiros.
Não existe oposição entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade. Ao contrário: um estado que se prepara para eventos climáticos, protege seus recursos naturais e reduz riscos também protege sua economia. Cada enchente evitada, cada área de risco corretamente monitorada e cada infraestrutura preparada pode significar menos gastos emergenciais no futuro.
Sustentabilidade, portanto, também é planejamento econômico, responsabilidade fiscal e proteção do patrimônio público.
Quando ESG e ODS são incorporados ao planejamento estadual, a gestão passa a considerar não apenas os problemas do presente, mas também os riscos e as oportunidades que podem determinar o desenvolvimento das próximas décadas.
O que o eleitor deve avaliar no plano de governo?
Neste período eleitoral, a população precisa assumir também o papel de avaliadora. Ao ler um plano de governo, é importante perguntar se existe uma estratégia concreta para prevenir desastres climáticos, quais são as propostas para enfrentar enchentes, secas, incêndios e deslizamentos e como o governo pretende proteger os recursos hídricos.
Também é fundamental verificar se há previsão de investimentos em Defesa Civil, saúde pública, infraestrutura resiliente e adaptação climática, além de metas, prazos e indicadores que permitam acompanhar os resultados.
Mais do que identificar se as palavras ESG e ODS aparecem no documento, o eleitor deve verificar se seus princípios estão realmente incorporados ao planejamento. É preciso saber o que será feito, como será feito, quanto será investido e como os resultados serão avaliados.
E, principalmente, vale fazer uma pergunta simples: a candidata ou o candidato está propondo prevenção ou apenas prometendo agir depois que o problema acontecer?
Essas perguntas não são exclusivas de especialistas. São perguntas que qualquer cidadão pode - e deve - fazer.
O voto também é uma escolha sobre o futuro
O eleitor não deve esperar a próxima enchente para descobrir se seu Estado estava preparado. Não deve esperar uma crise de abastecimento para discutir segurança hídrica, nem esperar uma tragédia para perguntar por que riscos já conhecidos não foram enfrentados. A prevenção precisa começar antes da emergência.
A próxima governadora ou o próximo governador terá a responsabilidade de administrar recursos públicos, tomar decisões que impactam a vida de milhões de pessoas e preparar o estado para desafios que já estão diante de nós. Por isso, o plano de governo precisa mostrar mais do que boas intenções. Precisa apresentar visão, planejamento, metas e capacidade de prevenção.
A emergência climática exige uma nova forma de governar: mais preventiva, integrada, transparente e baseada em evidências. ESG conectado aos ODS pode contribuir para essa transformação, aproximando desenvolvimento econômico, proteção ambiental, responsabilidade social e boa governança.
No fim, escolher uma governadora ou um governador é também escolher como queremos que nosso estado esteja preparado para o futuro.
E o futuro começa com uma decisão que cada eleitor poderá tomar muito em breve, mais especificamente em outubro: ler, questionar e avaliar o plano de governo e, a partir disso, fazer uma escolha consciente sobre quem receberá o seu voto.