A promotora de Justiça do MP/BA Lívia Maria Sant’Anna Vaz relatou, por meio das redes sociais, que foi vítima de assédio e racismo enquanto se exercitava na orla de Salvador.
Segundo a promotora, o episódio ocorreu na manhã da última segunda-feira, 19, quando ela e uma amiga faziam aquecimento para uma corrida. Conforme descreveu, um homem se aproximou por trás proferindo obscenidades e passou a caminhar ao lado das duas.
Diante da insistência, Lívia afirmou que decidiu confrontá-lo, momento em que, segundo seu relato, as agressões verbais assumiram teor racista.
A promotora disse que o homem questionou a recusa à abordagem mencionando sua cor de pele, com a frase: “Você é preta e não vai aceitar um elogio meu? Qual é o problema em fazer um elogio?”.
A promotora relatou que pediu para ele se afastar, dizendo não conhecê-lo. Ainda assim, segundo afirmou, o homem teria continuado a intimidar as duas por cerca de cinco a sete minutos, virando-se repetidamente e murmurando palavras em tom ameaçador.
Ainda conforme o relato, em determinado momento, o agressor desferiu um soco em uma lixeira fixada em poste na via pública.
No vídeo publicado, Lívia avaliou o episódio como expressão de machismo e racismo, ao questionar se a abordagem teria ocorrido da mesma forma contra uma mulher branca.
A promotora encerrou o desabafo afirmando que mulheres seguem expostas à violência em diferentes espaços e pediu que a sociedade não naturalize esse tipo de situação.
Confira o vídeo completo:
Atuação institucional
Lívia Sant’Anna Vaz é promotora de Justiça no MP/BA e atualmente coordena o Grupo de Atuação Especial de Proteção dos Direitos Humanos e Combate à Discriminação, núcleo voltado à defesa de direitos fundamentais e ao enfrentamento de práticas discriminatórias.
Ela atua em pautas relacionadas à igualdade racial, combate à violência contra a mulher e proteção de direitos humanos. Em 2017, recebeu a Comenda Maria Quitéria, concedida a mulheres com atuação de destaque em ações com impacto social na Bahia.
Também é autora dos livros “A Justiça é uma mulher negra” e “Cotas Raciais”, e foi citada em iniciativas e listas que reúnem juristas negros e negras apontados como referências na área jurídica e em temas relacionados a direitos fundamentais e representatividade institucional.