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PF apura trend que incita violência contra mulher "caso ela diga não"

Investigação foi aberta após pedido da AGU sobre vídeos nas redes sociais que simulam agressões físicas contra mulheres.

10/3/2026
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A PF abriu investigação para apurar a trend “caso ela diga não”, nas redes sociais, que reúne conteúdos de apologia à violência contra a vida e a integridade física de mulheres. O inquérito foi instaurado após pedido da AGU, que encaminhou notícia-crime à corporação no domingo, 8, Dia Internacional da Mulher.

Entenda

Os vídeos, publicados no TikTok e já retirados da plataforma, mostravam jovens simulando chutes, socos e facadas contra manequins que representavam mulheres. As postagens traziam ainda mensagens que associavam a violência a situações de rejeição afetiva, com frases como “Treinando caso ela diga não”.

O pedido de apuração foi apresentado pela Pndd - Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, vinculada à AGU. No documento, o órgão apontou ao menos quatro perfis responsáveis pela divulgação desse tipo de conteúdo.

Segundo a AGU, as publicações comprometem a atuação estatal voltada à promoção e proteção dos direitos das mulheres e enfraquecem a efetividade das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero e de promoção da igualdade material.

Assista: 

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Pedido citou risco coletivo às mulheres

A AGU afirmou que a medida integra o Pacto Brasil entre os três Poderes para enfrentamento do feminicídio, firmado em fevereiro de 2026, que prevê ações de combate à violência digital contra mulheres e meninas.

Segundo Raphael Ramos, procurador nacional da União de Defesa da Democracia, mesmo sem uma vítima individualizada, a circulação sistemática de conteúdo misógino nas plataformas representa ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres e atinge toda a coletividade feminina. Ele também defendeu o aperfeiçoamento da governança das plataformas digitais, ao afirmar que, apesar de avanços recentes, as medidas adotadas até agora ainda são insuficientes.

Para o procurador, os vídeos podem configurar estímulo à prática de crimes previstos no Código Penal, como feminicídio, lesão corporal, intimidação sistemática, inclusive virtual, ameaça, perseguição, violência psicológica contra a mulher, além de incitação ao crime e apologia criminosa.

Nas redes sociais, a repercussão da trend também levou usuários a associar o conteúdo ao universo redpill, termo usado para designar comunidades online frequentemente ligadas à circulação de discursos misóginos.

O  que é o movimento redpill?

O redpill é um conjunto de grupos virtuais, formados majoritariamente por homens, que afirmam ter “despertado” para uma suposta realidade sobre relações entre homens e mulheres. O termo vem do filme Matrix, em que tomar a “pílula vermelha” simboliza enxergar a verdade escondida. Em muitos desses espaços, circulam críticas ao feminismo e visões hostis às mulheres, sobretudo em discussões sobre relacionamentos, casamento e papéis de gênero. 

Um exemplo citado nesse contexto foi o caso de Vitor Hugo Oliveira Simonin, investigado por estupro coletivo no Rio de Janeiro, que chamou atenção ao se apresentar à polícia usando uma camiseta com a frase “Regret nothing” (“Não se arrependa de nada”), mensagem que, nas redes, foi aproximada do discurso propagado em comunidades redpill, hoje personificado sobretudo na figura do influenciador britânico Andrew Tate.

Vitor Hugo Oliveira Simonin, investigado por estupro coletivo no Rio de Janeiro, ganhou repercussão ao se apresentar à polícia usando camiseta com a frase “Regret nothing”.(Imagem: Reprodução)
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