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Presidente do TST critica cultura redpill e cobra regulação das redes

Ministro Vieira de Mello afirmou que discurso misógino na internet exige debate sobre regulação das plataformas.

10/3/2026
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Na abertura da sessão do órgão especial do TST nesta segunda-feira, 9, o presidente da Corte, ministro Vieira de Mello Filho, mencionou o caso de estupro coletivo ocorrido em Copacabana, no Rio de Janeiro, para alertar sobre a disseminação de discursos de violência contra mulheres nas redes sociais.

Durante a fala, o ministro comentou a repercussão da imagem de um dos réus, que se apresentou à polícia usando uma camiseta com a frase em inglês “Regret nothing” (“não se arrependa de nada”). Segundo ele, a expressão é associada ao universo conhecido como redpill, frequentemente citado em debates sobre misoginia online.

Vieira de Mello afirmou que episódios desse tipo evidenciam a necessidade de discutir mudanças culturais e possíveis formas de regulação da internet, diante do que classificou como “epidemia” – o crescimento de conteúdos que incentivam violência contra mulheres e meninas.

Assista a trecho:

O ministro também relacionou o tema ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, e destacou que a proteção à integridade física das mulheres é um indicador essencial de desenvolvimento democrático e civilizatório.

Segundo ele, a violência de gênero gera impactos sociais amplos e compromete a participação plena das mulheres na vida política, social e econômica.

“Quando vivemos em uma sociedade que não é segura para a integridade física e para a própria sobrevivência das mulheres, estamos falando da ausência de possibilidade de participação política, social e produtiva de 51,5% da população brasileira.”

Ao final da manifestação, o ministro citou a filósofa francesa Simone de Beauvoir, ao afirmar que uma sociedade não pode ser considerada plenamente democrática quando metade de sua população não desfruta de igualdade e liberdade.

Recado na camiseta

O comentário do presidente do TST faz referência ao caso de estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana, no Rio de Janeiro, que teria ocorrido em 31 de janeiro deste ano.

Um dos réus, Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, se apresentou à polícia no último dia 4 vestindo uma camiseta com a frase “Regret nothing” (não se arrependa de nada). A imagem ganhou grande repercussão nas redes sociais.

O termo seria um dos “lemas” de Andrew Tate, um influenciador que prega a domoinação masculina e o desprezo pelas mulheres. Tate é réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores, segundo publicado pelo G1.

Vitor Hugo Oliveira Simonin, investigado por estupro coletivo no RJ, se apresentou à polícia usando camiseta com a frase “regret nothing”.(Imagem: Reprodução)

Reportagens apontaram que a expressão é frequentemente associada a discursos presentes na chamada “machosfera”, ecossistema de comunidades online voltadas a debates sobre masculinidade e relações de gênero.

Nesse ambiente digital circulam grupos com diferentes posições ideológicas, entre eles comunidades conhecidas como redpill e incels, frequentemente citadas em discussões sobre misoginia online.

O que é o movimento redpill

O termo redpill tem origem no filme Matrix (1999), em que tomar a “pílula vermelha” simboliza enxergar uma realidade oculta.

Na internet, a expressão passou a designar comunidades majoritariamente masculinas que afirmam ter “despertado” para uma suposta verdade sobre relações entre homens e mulheres.

Esses grupos costumam reunir críticas ao feminismo e debates sobre papéis de gênero e relacionamentos. Pesquisadores e especialistas apontam que, em parte desses espaços, também circulam discursos hostis às mulheres e conteúdos misóginos, o que tem motivado discussões sobre radicalização digital e violência de gênero.

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