Na semana da SST – Saúde e Segurança do Trabalho, os debates sobre acidentes de trabalho ganham espaço no país. Um caso recente reforçou as discussões: um trabalhador morreu durante a montagem do palco para o show da cantora Shakira, em Copacabana, no Rio de Janeiro, evidenciando riscos em diferentes atividades econômicas.
De acordo com o médico do trabalho Alexandre de Lima Santos, head de Estratégia em SST no André Menescal Advogados, os acidentes ainda são mal compreendidos e subnotificados, com impactos que vão além das empresas.
"O acidente de trabalho é desinteressante para todo mundo, não só para o empresariado, mas sobretudo para o acidentado e familiares próximos do acidentado, porque isso custa muito. A gente está falando tanto de um custo financeiro, mas um custo para toda a sociedade".
Para ele, "é preciso base técnica para dizer se o caso tem relação com o trabalho. Há pressa ao classificar o que é ambiente de trabalho ou não", afirma.
Outro ponto, acrescenta Alexandre, é a subnotificação. Para cada acidente conhecido formalmente, diz o médico, valores da ordem de 5 a 10 vezes maiores não são notificados. "Nós ainda somos um país que punimos o acidente de trabalho na forma de uma tributação majorada, o que acaba influenciando as empresas a subnotificar".
O especialista também cita os diferentes riscos ocupacionais, como físicos, biológicos, químicos, mecânicos e ergonômicos, e alerta para o crescimento das discussões sobre saúde mental. A partir de 26/5, a NR-1 entra em fase punitiva e passa a exigir das empresas o gerenciamento dos riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
"O mundo inteiro vem enfrentando a elevação de casos associados a esses fatores, mas a gente não pode resvalar para uma vala comum de achar que todo problema de saúde mental é necessariamente originado no trabalho", ele pondera.