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OAB aciona MP após ataques à travesti mais velha do Brasil

Notícia de fato foi encaminhada ao MP/MG pela OAB de Governador Valadares após a repercussão de homenagem prestada durante audiência pública na cidade sobre direitos da população LGBTQIAPN+.

30/6/2026
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A Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB de Governador Valadares/MG, em conjunto com o Conselho Seccional Estudantil da OAB/MG, protocolou uma notícia de fato no MP/MG para apuração de possíveis crimes de LGBTfobia contra Tiana Cardeal, de 93 anos, reconhecida como a travesti mais idosa do Brasil.

A representação foi apresentada após a repercussão da audiência pública "Comunidade LGBTQIAPN+: Da Invisibilidade à Cidadania", realizada em 24 de junho na Câmara Municipal de Governador Valadares. Durante o evento, Tiana foi homenageada com uma moção de aplausos, em reconhecimento à sua trajetória.

Tiana Cardeal, travesti mais idosa do Brasil, em audiência pública em homenagem à comunidade LGBTQIAPN+.(Imagem: Reprodução/Instagram)

Segundo a OAB, a divulgação da homenagem pela Câmara e pela imprensa local e nacional motivou uma série de manifestações nas redes sociais. De acordo com a comissão, diversos perfis publicaram comentários de cunho LGBTfóbico e racista direcionados a Tiana e à comunidade LGBTQIAPN+.

Em publicação nas redes sociais, a Comissão da Diversidade informou que foi acionada por coletivos que atuam no combate ao preconceito, os quais encaminharam capturas de tela e links de perfis com as supostas ofensas. Todo o material foi reunido e encaminhado ao Ministério Público.

Na manifestação, a OAB informou que a representação busca a apuração e a responsabilização dos autores dos comentários, caso sejam constatadas condutas criminosas.

Nota da Comissão de diversidade da OAB de Governador Valadares.(Imagem: Reprodução)

Quem é Tiana Cardeal?

Tiana Cardeal, de 93 anos, é reconhecida por entidades do movimento LGBTQIAPN+ como a pessoa trans mais idosa do Brasil. Nascida em 16 de maio de 1933, em Guanhães/MG, foi entregue ainda bebê a uma igreja e nunca conheceu os pais biológicos. Criada por uma família de fazendeiros, deixou a casa na adolescência após vivenciar episódios de violência e passou a viver em Governador Valadares, cidade onde construiu sua trajetória e reside há mais de cinco décadas.

Ao longo da vida, exerceu diferentes atividades para garantir o próprio sustento, entre elas a de lavadeira, enfrentando dificuldades financeiras, discriminação e marginalização em um período em que pessoas trans tinham pouca ou nenhuma proteção social e jurídica.

Nos últimos anos, sua história passou a ganhar projeção nacional. Em 2024, participou de uma edição do TEDx realizada em Governador Valadares. No ano seguinte, foi tema do curta-documentário "Meu Nome é Tiana", dirigido por Dafny Bastet e produzido no âmbito do projeto Narrativas Negras Não Contadas, da Warner Bros. Discovery. O filme retrata aspectos de sua rotina, sua relação com a comunidade e sua trajetória de resistência.

Tiana também integra a série "LGBT+60: Corpos que Resistem", que reúne histórias de pessoas LGBTQIAPN+ idosas, e tem sido homenageada por entidades e movimentos sociais por sua contribuição à preservação da memória da população trans no Brasil.

Este mês, recebeu a moção de aplausos da Câmara Municipal de Governador Valadares em reconhecimento à sua trajetória e à sua contribuição para a promoção da cidadania e da visibilidade da população LGBTQIAPN+.

Tiana Cardeal em "LGBT+60: Corpos que Resistem" e "Meu Nome é Tiana".(Imagem: Reprodução)

Audiência pública

A audiência pública reuniu representantes do poder público, entidades e sociedade civil para discutir políticas públicas voltadas à população LGBTQIAPN+, o enfrentamento da discriminação e a promoção da cidadania.

Além da homenagem a Tiana Cardeal, a programação contou com a exibição do documentário Meu Nome é Tiana e com apresentação cultural da Miss Gay Governador Valadares 2025, Eva Fênix.

Ao final do encontro, as propostas e relatos apresentados foram reunidos para encaminhamento aos órgãos competentes, com o objetivo de subsidiar ações e políticas públicas voltadas à população LGBTQIAPN+.

Até o momento, o Ministério Público de Minas Gerais ainda não divulgou informações sobre eventual instauração de procedimento para apurar os fatos narrados na notícia de fato protocolada.

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