Em fase de testes de 1º/7 a 31/12, os EUA passaram a cobrar uma taxa extra de US$ 750 para quem tenta antecipar a entrevista do visto B1/B2. O pagamento não substitui a taxa regular nem assegura a aprovação do visto.
Para Witer DeSiqueira, do escritório Witer DeSiqueira & Pessoni An International Law Corporation, essa novidade deve ser vista com muita cautela pelos brasileiros.
Na avaliação do advogado, o problema não está apenas no valor da taxa, mas principalmente na forma como muitos solicitantes podem interpretar esse pagamento. Para ele, existe o risco de o brasileiro acreditar que, por pagar um valor alto, estará aumentando suas chances de aprovação — o que não é verdade. "Pagar mais caro não significa estar mais perto da aprovação. A taxa pode acelerar a entrevista, mas não melhora o caso, não corrige falhas, não aumenta vínculos com o Brasil e não garante o visto", alerta.
A Mara Pessoni, também do escritório Witer DeSiqueira & Pessoni An International Law Corporation, reforça que, em matéria de visto americano, velocidade nunca deve ser confundida com estratégia. Um atendimento mais rápido pode ser útil em alguns casos, mas, se o perfil do solicitante não estiver bem preparado, a entrevista antecipada pode apenas antecipar uma negativa.
Esse ponto é essencial. Muitos brasileiros já têm dificuldade em compreender que o pagamento de taxas ao governo americano não significa garantia de resultado. Algo parecido acontece com o chamado Premium Processing, utilizado em determinados processos migratórios. Nele, o solicitante paga uma taxa adicional para ter uma resposta mais rápida, mas essa resposta pode ser uma aprovação, uma solicitação de documentos adicionais ou até uma negativa.
Ou seja: paga-se pela rapidez da análise, não pela aprovação. Na visão de Witer DeSiqueira, a nova taxa de US$ 750 segue uma lógica semelhante. Ela cria uma espécie de "fila rápida", mas não entrega aquilo que o solicitante realmente deseja: a segurança de ter o visto aprovado.
Por isso, ele não recomenda que o brasileiro veja esse serviço como uma solução automática. Ao contrário, entende que a medida pode funcionar como mais um mecanismo de arrecadação, especialmente em um momento de alta demanda por vistos, com a proximidade de grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo de 2026 e os Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028.
A preocupação é simples: o governo cobra caro para acelerar a entrevista, mas não assume qualquer compromisso com o resultado final. E, para quem está investindo em viagem, passagem, hospedagem, documentação e planejamento familiar ou profissional, uma negativa pode gerar frustração e prejuízo. Por isso, antes de pagar qualquer taxa adicional, o mais importante é avaliar se o caso está realmente pronto para ser apresentado ao consulado. O solicitante precisa entender seu perfil, seus vínculos com o Brasil, o propósito da viagem, seu histórico migratório e a coerência das informações prestadas. Uma entrevista rápida pode parecer vantajosa. Mas, sem preparo, ela pode ser apenas uma negativa mais rápida.
A recomendação de Witer DeSiqueira e de Mara Pessoni é que o solicitante não tome essa decisão apenas pela pressa. Antes de pagar uma taxa elevada, é fundamental analisar se o caso tem consistência e se a aplicação está bem estruturada. No fim, a pergunta principal não deve ser: "consigo uma entrevista mais rápida?". A pergunta correta é: "meu caso está realmente preparado para ser analisado?". Porque, no sistema de imigração americano, pagar mais não significa necessariamente ter mais chance. E velocidade, sem estratégia, pode custar caro.