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Plano terá de fornecer medicamento fora do rol da ANS a criança

Colegiado considerou comprovados os requisitos para cobertura de canaquinumabe, prescrito após falha de outros tratamentos para síndrome autoinflamatória.

18/10/2026
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A 3ª turma do Núcleo 4.0 em Segundo Grau do TJ/SP manteve a obrigação de uma operadora de plano de saúde fornecer e custear o medicamento canaquinumabe (Ilaris) a uma criança diagnosticada com síndrome autoinflamatória com febre recorrente (SURF). O colegiado considerou que, embora o tratamento não esteja previsto no rol da ANS para a doença, foram preenchidos os requisitos estabelecidos pelo STF para a cobertura de medicamentos não incorporados à lista.

Segundo os autos, a paciente apresenta episódios de febre alta, dores articulares e manifestações cutâneas, além de histórico de infecções recorrentes, incluindo meningites e pneumonias.

A criança já havia realizado tratamentos com anti-inflamatórios, corticosteroides, colchicina e tocilizumabe, sem controle satisfatório das crises. O último medicamento também provocou reação alérgica, levando à interrupção de seu uso.

Diante do quadro clínico, a médica responsável prescreveu o canaquinumabe para controlar a atividade inflamatória e prevenir complicações.

A operadora, entretanto, negou a cobertura sob o argumento de que o medicamento não constava do rol da ANS para a enfermidade.

TJ/SP obriga plano a custear remédio fora do rol da ANS a criança.(Imagem: Magnific)

Em primeira instância, a Justiça determinou o fornecimento integral do tratamento, na dosagem e periodicidade prescritas, enquanto houvesse indicação médica. A sentença também fixou indenização de R$ 5 mil por danos morais.

A operadora recorreu, alegando, entre outros pontos, que o medicamento era de uso domiciliar, tinha indicação fora da bula para a doença e não preenchia os requisitos para cobertura obrigatória.

Evidências científicas

Relatora do caso, a juíza substituta em segundo grau Mara Regina D'Agnessa Trippo Kimura aplicou os critérios estabelecidos pelo STF no julgamento da ADIn 7.265, que tratou da cobertura de procedimentos e tratamentos não previstos no rol da ANS.

A magistrada destacou que a prescrição estava fundamentada no histórico clínico da paciente e que a operadora não havia indicado alternativa terapêutica igualmente eficaz e segura prevista no rol.

Também considerou estudos científicos e notas técnicas do Natjus favoráveis ao uso do canaquinumabe em síndromes de febre recorrente, além do registro do medicamento na Anvisa.

Para a relatora, o conjunto documental era suficiente para analisar a eficácia e a segurança do tratamento, dispensando a realização de perícia ou nova consulta técnica.

O colegiado também afastou o argumento de que o medicamento poderia ser excluído da cobertura por ser de uso domiciliar. Segundo o voto, embora o canaquinumabe seja administrado por injeção subcutânea, sua aplicação exige orientação e treinamento, o que permite equipará-lo a medicamento de uso ambulatorial.

Danos morais afastados

Apesar de manter a obrigação de custear o tratamento, o Tribunal excluiu, de ofício, a condenação de R$ 5 mil por danos morais.

A relatora constatou que a paciente havia solicitado apenas o fornecimento do medicamento, sem formular pedido de indenização na petição inicial.

Assim, considerou que a sentença ultrapassou os limites da demanda, em desacordo com os artigos 141 e 492 do CPC.

O colegiado também acolheu o recurso da advogada da paciente para fixar os honorários advocatícios em 10% sobre o valor atualizado da causa, calculado com base no custo estimado de 12 meses de tratamento, de R$ 473.989,08.

A decisão foi unânime.

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