"Não existe país forte nem economia forte sem uma indústria forte. O setor industrial se mostra imprescindível para o país superar obstáculos e buscar o caminho do crescimento."
A afirmação é do presidente da CNI - Confederação Nacional da Indústria, Ricardo Alban, ao destacar o papel do setor no desenvolvimento econômico e social do país.
Os dados ajudam a dimensionar essa relevância. Em 2025, a indústria representou 23,4% do PIB brasileiro e respondeu por 67,7% das exportações de bens e serviços. O setor também concentrou 66,8% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento em 2021. Segundo indicadores apresentados pela CNI, sua participação chegou a 32,4% da arrecadação de tributos federais, excluídas as receitas previdenciárias, e a 24,9% da arrecadação previdenciária.
Além do peso na produção e na arrecadação, a indústria também tem forte impacto sobre o mercado de trabalho. O setor emprega 12 milhões de trabalhadores, o que representa 20% do emprego formal no Brasil.
O impacto da indústria se estende a outras atividades produtivas. Segundo a CNI, a cada R$ 1 produzido pelo setor, são gerados R$ 2,44 na economia brasileira.
Além da geração de empregos e dos investimentos em tecnologia, o fortalecimento da indústria também passa pela segurança jurídica, apontada pela CNI como fundamental para a atração de investimentos e a competitividade das empresas.
Segurança jurídica e atuação no STF
A CNI representa os interesses do setor perante os poderes públicos, inclusive no Judiciário. No STF, possui legitimidade para propor ações de controle de constitucionalidade e participa de julgamentos como amicus curiae, apresentando subsídios técnicos sobre questões que afetam a atividade industrial.
A edição de 2026 da Agenda Jurídica da Indústria reúne 70 processos de interesse do setor no Supremo, dos quais 40% tratam de questões tributárias e 26% de temas trabalhistas. Entre os assuntos acompanhados estão discussões sobre incentivos fiscais, tributação de dividendos, pejotização e relações de trabalho.
"A estabilidade das normas e a previsibilidade das decisões judiciais são fundamentais para atrair investimentos, estimular a inovação, diversificar a produção e garantir nossa competitividade global", destaca Ricardo Alban.
Inovação e formação para a indústria do futuro
A atuação institucional da CNI integra uma estrutura mais ampla, o Sistema Indústria, formado também pelo SESI - Serviço Social da Indústria, pelo SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e pelo IEL - Instituto Euvaldo Lodi.
Um dos principais eixos dessa estrutura é a integração entre educação, pesquisa e desenvolvimento tecnológico, voltada à preparação de profissionais e à modernização da atividade industrial.
Criado em 1942, o SENAI é o maior complexo de educação profissional e tecnológica da América Latina. Com mais de 3 milhões de matrículas anuais, oferece cursos que vão da aprendizagem industrial à pós-graduação. Segundo levantamento da instituição, 84,4% dos ex-alunos de cursos técnicos de nível médio estavam empregados.
Além da formação profissional, o SENAI mantém uma rede de Institutos de Inovação e de Tecnologia, que desenvolvem pesquisas aplicadas e oferecem soluções tecnológicas para empresas.
A atuação inclui o desenvolvimento de novos produtos, a modernização de processos industriais e a incorporação de tecnologias voltadas ao aumento da eficiência e da produtividade. A instituição também oferece consultorias para empresas que buscam ampliar sua capacidade de inovação e competitividade.
A proposta é aproximar o conhecimento científico das necessidades do setor produtivo, permitindo que soluções desenvolvidas em pesquisa sejam aplicadas à atividade industrial.
"A indústria manufatureira é a responsável por desenvolver e disseminar tecnologia no país e pelos maiores investimentos e salários. Temos feito muitos esforços na qualificação de mão de obra, tecnologia, inovação e sustentabilidade no setor industrial", destaca Alban.
Educação, saúde e qualidade de vida
Outra frente importante do Sistema Indústria é a atuação do SESI, fundado em 1946 para promover o bem-estar dos trabalhadores industriais e de suas famílias.
Com mais de 770 unidades de educação e promoção da saúde em todo o país, a instituição oferece ensino da educação infantil à Educação de Jovens e Adultos (EJA), com metodologias inovadoras que integram ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.
Na área de saúde e segurança do trabalho, desenvolve programas de prevenção de acidentes, redução de riscos ocupacionais e promoção da qualidade de vida, além de auxiliar empresas no cumprimento das normas de proteção à saúde dos trabalhadores.
O SESI também promove atividades culturais e esportivas, ampliando o acesso de trabalhadores e da comunidade a iniciativas de educação e bem-estar.
Conexão entre universidades e empresas
O IEL, criado em 1969, completa essa estrutura ao aproximar universidades e empresas, conectando a formação acadêmica às necessidades do mercado de trabalho.
A instituição reúne mais de 1,6 milhão de estudantes cadastrados em seu programa nacional de estágio e mantém parcerias com mais de 77 mil empresas em todo o país.
A história do Sistema Indústria começou em 1938, com a fundação da CNI, e acompanhou a expansão da atividade industrial brasileira. Ao longo das décadas, as instituições ampliaram sua atuação para atender às demandas de formação profissional, desenvolvimento tecnológico e bem-estar dos trabalhadores.
Hoje, a atuação conjunta das quatro entidades reúne educação, inovação, saúde e representação institucional em iniciativas voltadas ao fortalecimento da indústria e à sua contribuição para o desenvolvimento econômico e social do país.
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