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Coligação pede cassação de Ferraço e Casagrande por uso de aeronaves

Partidos alegam que voos oficiais favoreceram pré-candidaturas no Espírito Santo e pede inelegibilidade por oito anos.

23/10/2026
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A coligação Paz Pra Viver um Novo Tempo ajuizou no TRE/ES ação que pede a cassação dos registros ou diplomas de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande por suposto abuso de poder político e econômico na pré-campanha de 2026.

Protocolada nesta quinta-feira, 22, a ação questiona o uso de aeronaves estaduais e a participação em agendas oficiais para promover as candidaturas de Ferraço ao governo e de Casagrande ao Senado.

A coligação também requer a inelegibilidade dos dois por oito anos. 

Voos oficiais

Segundo a autora, após deixar o governo para disputar o Senado, Casagrande passou a acompanhar Ferraço em deslocamentos realizados com aeronaves do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo do Estado.

A petição relaciona 68 voos, dos quais 56 teriam contado com Casagrande a bordo. Os demais envolveriam transporte de Ferraço ou deslocamentos necessários ao posicionamento e recolhimento das aeronaves.

Para a coligação, a estrutura pública permitiu ao ex-governador percorrer municípios em condições inacessíveis aos demais pré-candidatos, com benefício eleitoral recíproco.

Ação no TRE/ES pede cassação de Ricardo Ferraço e Renato Casagrande por suposto uso eleitoral de aeronaves oficiais.(Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil | José Cruz/Agência Brasil)

Agendas e divulgação

A ação sustenta que os deslocamentos estavam associados a solenidades de entrega de obras, discursos e produção de conteúdo para redes sociais.

Segundo a narrativa da autora, Casagrande participava dos eventos ao lado de Ferraço e vinculava sua imagem aos investimentos estaduais. Parte das publicações teria recebido impulsionamento para ampliar o alcance das mensagens.

A coligação também menciona um evento de prestação de contas realizado no Estádio Kleber Andrade, em abril, ao qual atribui caráter eleitoral. Pede que a ação seja reunida a outro processo relacionado à solenidade.

Justificativas contestadas

A inicial reproduz argumentos apresentados anteriormente pelos envolvidos e pela administração estadual, como a classificação dos voos como governamentais, a regularidade da participação de integrantes da comitiva e o direito do ex-governador à segurança pessoal.

Também registra a justificativa de que o transporte conjunto não teria gerado despesa adicional, pois as aeronaves já seriam utilizadas na agenda do governador.

A coligação contesta essas explicações. Sustenta que a discussão eleitoral não se limita à regularidade administrativa do embarque ou ao custo adicional para o Estado, mas à vantagem proporcionada às pré-candidaturas.

Perícia e pedidos

Para dimensionar o benefício alegado, a autora requer perícia sobre o valor de mercado de serviço equivalente de fretamento, considerando horas de voo, espera em solo, posicionamento das aeronaves e disponibilidade das tripulações.

Ao final, pede a cassação dos registros ou diplomas de Ferraço e Casagrande, com extensão aos integrantes das respectivas chapas majoritárias: Camillo Neves, Marcelo de Souza Coelho e Marcelo Henrique Ferreira.

A ação também solicita prova testemunhal e manifestação do Ministério Público Eleitoral. Tramita sob relatoria do corregedor regional eleitoral, desembargador Arthur José Neiva de Almeida.

O escritório Cheim Jorge & Abelha Rodrigues - Advogados Associados atuam no caso.

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