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Inocente?

"Sou um homem decente': Maduro se declara inocente durante audiência em Nova York

Líder venezuelano disse ter sido sequestrado em operação militar dos EUA e afirmou que continua sendo o presidente da Venezuela.

Da Redação

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Atualizado às 19:16

Durante audiência nesta segunda-feira, 5, em um tribunal federal no sul de Manhattan, em Nova York, Nicolás Maduro se declarou inocente e afirmou que continua sendo o presidente da Venezuela.

Acusado de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado, e apresentado dois dias após ser capturado em uma operação militar dos Estados Unidos em Caracas, o líder venezuelano disse ao juiz Alvin K. Hellerstein que foi "sequestrado", contestando a legitimidade do processo.

Diante do magistrado, Maduro respondeu por meio de um intérprete às acusações: "Sou inocente. Não sou culpado", afirmou. Em seguida, insistiu: "Sou um homem decente. Ainda sou presidente do meu país".

A esposa dele, Cilia Flores, também compareceu à audiência e se declarou inocente. Vestindo uniforme prisional laranja, ela apresentava um curativo na testa e aparentes hematomas próximos ao olho direito. 

A audiência ocorreu em meio a uma ofensiva do governo Donald Trump para retirar Maduro do poder. O advogado do venezuelano, Barry Pollack, afirmou ao juiz que há questionamentos jurídicos sobre a legalidade da captura, classificada por ele como "sequestro militar".

 (Imagem: Reuters)

Desenho de Nicolás Maduro em audiência em Nova York.(Imagem: Reuters)

Reação internacional

Enquanto Maduro era apresentado à Justiça americana, o episódio provocava forte reação internacional. No mesmo dia, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência para discutir a operação dos Estados Unidos em território venezuelano. Diversos países, inclusive aliados históricos de Washington, criticaram a ação e apontaram violação do direito internacional e da soberania da Venezuela.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou estar "profundamente preocupado" com o precedente criado pela incursão militar e pediu respeito à Carta das Nações Unidas. França, Colômbia, Rússia e China também condenaram a operação e, no caso de Moscou e Pequim, exigiram a libertação de Maduro e de sua esposa.

Em defesa da ação, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, afirmou que não há "guerra contra a Venezuela ou seu povo" e sustentou que a captura de Maduro se tratou de uma operação de aplicação da lei, não de uma intervenção militar.

Mais cedo, durante uma reunião da Assembleia Nacional da Venezuela, em Caracas, o filho de Maduro, Nicolás Maduro Guerra, que também foi citado na acusação formal, disse que seu pai e sua "segunda mãe" haviam sido "sequestrados", acrescentando que o mundo enfrentava uma "regressão perigosa" ao imperialismo.

O jovem, membro da assembleia desde 2021, conclamou o "povo do mundo" a demonstrar solidariedade à sua família e à Venezuela.

Maduro e Cilia Flores seguem presos nos Estados Unidos e, segundo a defesa, o julgamento pode levar mais de um ano para ocorrer.

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