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Prisão controversa

Advogada é presa em escritório após criticar delegado nas redes: "Não me calarei"

Áricka Cunha foi detida após publicar despacho policial e questionar, nas redes, a decisão que encerrou ocorrência registrada por ela.

Da Redação

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Atualizado em 23 de abril de 2026 09:04

A advogada Áricka Cunha foi presa na tarde de quarta-feira, 15, no próprio escritório, em Cocalzinho de Goiás, após publicar em rede social críticas a um despacho policial que arquivou ocorrência registrada por ela.

O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos considerou que o post configurou difamação, e o caso provocou repercussão e reação da OAB/GO, que informou ter aberto investigação.

Críticas nas redes

A advogada afirmou que registrou boletim de ocorrência no qual alegava ter sido ofendida por um servidor público. O delegado, no entanto, arquivou o procedimento sob o fundamento de fato atípico e falta de efetivo.

Em seguida, a causídica publicou nas redes sociais críticas à decisão e reproduziu trechos do despacho policial.

Após a divulgação do documento, o delegado entendeu que a publicação tinha caráter ofensivo e determinou a prisão da advogada por suspeita de difamação.

Assista:

A detenção ocorreu dentro do escritório da profissional, foi gravada em vídeo, e Áricka Cunha acabou conduzida à delegacia. Ela foi liberada no mesmo dia, após pagamento de fiança de R$ 10 mil.

Ao Migalhas, Áricka afirmou que a prisão extrapolou sua situação individual e representou afronta às prerrogativas da advocacia. 

“Fui surpreendida com uma prisão dentro do meu próprio escritório, um espaço que, por lei, é inviolável. O que aconteceu não atinge apenas a mim, mas a própria advocacia e o direito de defesa como um todo. A Constituição Federal garante prerrogativas claras à advocacia, justamente para assegurar que nenhum cidadão fique desamparado diante do poder do Estado. Quando essas garantias são desrespeitadas, não estamos falando de um caso isolado — estamos falando de um risco coletivo. Confio plenamente na apuração dos fatos e na responsabilização do delegado. Não me calarei diante de ilegalidades. Sigo firme, no exercício da minha profissão, com a consciência tranquila e o compromisso inegociável com a Justiça.”

O episódio motivou manifestação da seccional goiana da Ordem dos Advogados do Brasil e da Polícia Civil de Goiás, que informaram que vão apurar o caso.

Leia a nota da OAB/GO:

“O Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP) da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) determinou a imediata instauração de procedimentos contra o delegado de Polícia Civil Christian Zilmon Mata dos Santos, após a prisão considerada arbitrária de advogada, no município de Pirenópolis.

A decisão, formalizada pela Portaria n.º 05/2026, foi assinada na manhã desta quinta-feira, dia 16 de abril, pelo presidente do SDP, Alexandre Carlos Magno Mendes Pimentel. O documento detalha uma série de violações que ferem não apenas o Estatuto da Advocacia (EAOAB – Lei Federal n.º 8.906/94), como também os direitos fundamentais da profissional.

Diante da gravidade dos fatos, o SDP determinou:

– Formalização imediata de representação por crime de abuso de autoridade junto ao procurador-geral de Justiça;

– Acionamento da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública para apuração de conduta;

– Publicação de posicionamento oficial contra o ato do delegado.

Além dessas medidas, a Procuradoria de Prerrogativas já atua nos autos do processo (nº 5332342-23.2026.8.09.0177) para requerer a nulidade absoluta do Auto de Prisão em Flagrante (APF). Também será feita a coleta de depoimentos de testemunhas por meio de videoconferência para instruir o procedimento interno.”

Confira a nota da PCGO na íntegra:

"A Polícia Civil de Goiás informa que o fato foi levado ao conhecimento da Superintendência de Correições e Disciplina da PCGO, que está tomando as providências necessárias para a escorreita apuração do ocorrido."

Em nota, o MDA - Movimento de Defesa da Advocacia repudiou a prisão de advogada.

"O Movimento de Defesa da Advocacia – MDA divulgou Nota de Repúdio diante dos fatos envolvendo a prisão da Advogada Áricka Cunha, ocorrida no interior de seu escritório profissional, no município de Pirenópolis/GO.

Para o MDA, a Advocacia não pode ser submetida a atos que afrontem prerrogativas asseguradas em lei, sob pena de comprometimento do próprio Estado Democrático de Direito. A ocorrência levanta sérios questionamentos quanto à legalidade, proporcionalidade e aos limites do exercício do poder estatal.

A entidade destaca que as prerrogativas da Advocacia não constituem privilégios, mas garantias institucionais essenciais à defesa do cidadão, sendo inegociáveis e irrenunciáveis.

O MDA manifesta confiança nas instituições e espera a rigorosa apuração dos fatos, com a devida responsabilização, caso sejam confirmadas irregularidades."

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