Terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

 Circus nº 168

Conto surreal

"The only difference between Surrealism and myself is that I am Surrealism."

Salvador Dali

Domingo, Salvador (*) sai da tela, depois de tê-la pintado. Traz consigo sua inseparável musa e esposa, Gala. Sua mulher não está calçada e ambos caminham pela calçada. Ele dirige-se à praça, onde entra no banco para sacar algum dinheiro. Ele gosta de tênis, mas hoje está usando sapatos. Como não havia levado raquete, não conseguiu sacar nada. Sai do banco e senta-se no banco da praça, onde há uma cesta com seis mangas. Ele conta as mangas e pega a sexta, que corta em quatro pedaços. O quarto tem uma casa e um botão. Ele pega o botão e espera que ele abra. O botão torna-se uma rosa, que não é cor de rosa. Ele enfia a rosa branca em um dos buracos de uma ferradura, onde normalmente se colocaria um cravo. Ele vai até o pé de rosa e coloca nele a ferradura.

Em seguida, Salvador sai dali a caminho de casa, acompanhado de sua esposa, que está em trajes de gala.

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(*) Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí i Domènech morreu na cidade de Figueres, Catalunha, em 23 de janeiro de 1989. Segundo o atestado de óbito, morreu de pneumonia "e parada cardíaca", como, aliás, todos morremos. Foi um dos mais importantes artistas plásticos (pintor e escultor) surrealistas do mundo. Em 1934, casou-se com uma imigrante russa chamada Elena Ivanovna Diakonova, conhecida como Gala. E nasceu em 11 de maio de 1904, na mesma cidade onde morreu.

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*Adauto Suannes é autor do livro "Justiça & Caos".

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A realidade parece desmentir a idéia de que Justitiae opus pax. No mundo todo e, em especial, no Brasil o que se vê é o caos sendo implantado em razão da não concretização da justiça. Como diz o desembargador Alberto Silva Franco, no prefácio, "os efeitos da mudança dos caminhos adotados pelos Estados Unidos influenciam a ordem internacional, e o mundo começa a caminhar às avessas, tomando direções perturbadoras para a paz e para a convivência entre os povos. Não seria caso de responder afirmativamente a indagação de Eduardo Galeano: "Si el mundo está, como ahora está, patas arriba, ¿no habría que darle vuelta, para que pueda pararse sobre sus pies?".

O autor demonstra que, em matéria de justiça, não é só o mundo que está de pernas para o ar.

 

 

 

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Esta matéria foi colocada no ar originalmente em 5 de fevereiro de 2010.

 



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