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Túnel Santos-Guarujá: Impactos e o novo modelo de pedágio

O projeto representa um marco na mobilidade da Baixada Santista e promete revolucionar a logística e o transporte na região.

14/3/2025
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O Governo do Estado de São Paulo avança com um dos projetos de infraestrutura mais aguardados do litoral paulista: o túnel submerso que conectará as cidades de Santos e Guarujá.

Com um investimento estimado de R$ 5,96 bilhões, o edital de concessão foi lançado no final de fevereiro deste ano, trazendo importantes mudanças para a mobilidade na região e um novo modelo de pedágio.

O túnel será submerso, utilizando tecnologia de imersão de módulos de concreto, um método amplamente empregado em países como Holanda, Japão e China.

O empreendimento tem como principal objetivo desafogar o fluxo de passageiros e cargas que, atualmente, depende das balsas da DERSA ou de longos trajetos rodoviários.

Com aproximadamente 900 metros imersos de extensão, o túnel permitirá o transporte rápido de veículos e também contará com infraestrutura para ciclistas e pedestres, promovendo maior integração entre os dois municípios.

O projeto será viabilizado por meio de uma PPP - Parceria Público-Privada, na qual o setor privado será responsável pelo financiamento, construção e operação do túnel, enquanto o Estado oferecerá garantias e eventuais contraprestações financeiras.

Estima-se que a construção do túnel gere mais de 5.000 empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia regional.

O novo modelo de pedágio

Um dos aspectos mais debatidos do projeto é a implantação de um novo modelo de pedágio, baseado na tarifa dinâmica, metodologia que ajusta o valor da tarifa conforme a demanda, similar aos modelos aplicados em corredores urbanos e rodovias de países como Estados Unidos e Portugal.

A expectativa é que esse sistema permita uma distribuição mais eficiente do fluxo de veículos, incentivando o uso do túnel em horários de menor demanda e reduzindo os congestionamentos nos momentos de pico.

Estuda-se, ainda, a isenção total ou parcial para moradores das cidades impactadas e tarifas diferenciadas para veículos de transporte coletivo.

Benefícios e desafios do projeto

O projeto do túnel Santos-Guarujá deve trazer uma série de impactos positivos, entre os quais, destaco:

  • Redução do tempo de deslocamento: Hoje, a travessia por balsa pode levar até uma hora em horários de pico. Com o túnel, esse tempo será reduzido para aproximadamente dois minutos.
  • Menor impacto ambiental: A redução do uso de balsas deverá diminuir a emissão de gases poluentes e os impactos sobre a fauna marinha.
  • Integração econômica e turística: Santos e Guarujá terão uma conexão rápida e segura, incentivando o turismo e o desenvolvimento econômico local.
  • Facilidade logística: Atravessar o canal por meio do túnel reduzirá custos e tempo de transporte de cargas, beneficiando o Porto de Santos e setores como indústria e comércio.

Apesar dos avanços, o projeto ainda enfrenta desafios, como o impacto sobre comunidades locais, desapropriações e a compatibilização com normas ambientais rigorosas.

Outro ponto relevante é a aceitação do novo modelo tarifário pelos usuários, especialmente os residentes das cidades envolvidas.

Conclusão

Com a publicação do edital, o Governo do Estado abre caminho para que empresas interessadas possam apresentar propostas.

No entanto, o sucesso da concessão dependerá da capacidade das empresas interessadas em apresentar soluções inovadoras e sustentáveis, conciliando viabilidade econômica e benefícios à população. Diante desse cenário, a participação ativa do setor privado será essencial para garantir que o túnel não apenas saia do papel, mas cumpra sua promessa de modernização e desenvolvimento para a região.

O processo de licitação deve ocorrer nos próximos meses, e a conclusão do projeto está prevista para aproximadamente cinco anos a partir do início das obras, o que deve acontecer em 2026.

A construção do túnel Santos-Guarujá representa um marco na mobilidade da Baixada Santista e promete revolucionar a logística e o transporte na região.

Autor

Edgard Hermelino Leite Junior Sócio do escritório Edgard Leite Advogados Associados.

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