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Modelo de manifestação à sindicância no CRM

É muito comum que, ao receber uma intimação do Conselho Regional de Medicina, o médico vá direto ao Google em busca de um modelo pronto.

2/2/2026
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As buscas costumam ser diretas:

  • Modelo de manifestação à sindicância no CRM;
  • Exemplo de resposta à sindicância médica;
  • Como responder sindicância CRM.

Essa reação é compreensível.

O problema é que responder uma sindicância com modelos prontos é, na prática, uma das piores estratégias possíveis.

A sindicância não é um formulário. É um momento decisório.

Antes de tudo, é preciso entender o que realmente está em jogo.

A sindicância é a fase preliminar em que o CRM decide se:

  • O caso será arquivado, ou;
  • Haverá abertura de Processo Ético-Profissional.

Ou seja, a manifestação não é apenas um esclarecimento.

Ela é um ato decisório, que pode encerrar o problema ou levá-lo a um nível muito mais grave.

Tudo o que o médico escreve:

  • Passa a integrar os autos
  • Fixa uma versão dos fatos•
  • Será analisado tecnicamente pela comissão

Não existe resposta neutra.

Por que o CRM não avalia modelos, mas contextos?

Um erro comum é acreditar que existe uma resposta certa ou uma frase padrão que funcione para todos os casos.

Na prática, o CRM analisa:

  • O contexto do atendimento;
  • A coerência entre a manifestação e o prontuário;
  • A adequação da conduta às circunstâncias específicas;
  • O dever de informação ao paciente.

Modelos genéricos:

  • Não conversam com o prontuário
  • Ignoram particularidades do caso
  • Usam termos vagos e repetitivos
  • Não constroem estratégia defensiva

E, mais grave, podem levantar questionamentos que antes não existiam.

O risco invisível dos modelos prontos

Ao copiar um modelo da internet, o médico normalmente:

  • Não percebe termos jurídicos mal empregados
  • Repete argumentos incompatíveis com seu caso
  • Assume posições que não precisaria assumir
  • Cria contradições involuntárias

Muitos processos ético-profissionais começam exatamente assim:

uma sindicância que poderia ser arquivada, mas foi mal respondida.

O que uma boa manifestação à sindicância precisa ter:

Uma manifestação eficaz não é longa nem rebuscada.

Ela é estratégica.

Em linhas gerais, ela exige:

  • Leitura técnica da denúncia;
  • Análise minuciosa do prontuário;
  • Definição do que deve e do que não deve ser dito;
  • Narrativa cronológica coerente;
  • Linguagem ética, objetiva e juridicamente adequada.

Mais importante do que explicar tudo é saber o que silenciar.

Isso não se aprende em modelo.

Isso se constrói com análise de caso.

A pior pergunta não é qual modelo usar, mas qual estratégia adotar.

Quando o médico busca um modelo, ele está tentando resolver sozinho algo que não é simples nem automático.

A pergunta correta não é:

  • Qual modelo usar.

Mas sim:

  • Essa manifestação ajuda a arquivar o caso?
  • Isso pode ser usado contra mim no futuro?
  • Essa resposta está alinhada com o prontuário?

Responder sem estratégia é apostar no acaso.

A sindicância é o último momento de contenção.

Existe algo que todo médico precisa saber:

a sindicância é, muitas vezes, a última oportunidade real de encerrar o caso antes que ele vire um processo ético.

Depois disso:

  • A exposição aumenta;
  • O desgaste emocional cresce;
  • As consequências se tornam mais severas.

Por isso, tratar a manifestação como algo simples ou burocrático é um erro que pode custar caro.

Orientação não é exagero. É proteção.

Buscar orientação especializada nesse momento não significa admitir culpa.

Significa proteger a carreira construída ao longo de anos.

Uma manifestação bem feita:

  • Reduz riscos
  • Evita autoincriminação;
  • Preserva a narrativa do médico;
  • Aumenta significativamente as chances de arquivamento.

A maioria dos médicos que enfrentam processos éticos mais graves já ouviu, em algum momento:

“Se essa sindicância tivesse sido bem respondida, talvez o processo nem existisse.”

Considerações finais

Modelos prontos dão uma falsa sensação de segurança.

A sindicância exige algo muito mais importante: decisão estratégica.

Responder bem não é falar muito.

Não é copiar frases prontas. É entender o momento, o risco e o caminho mais seguro.

E isso não se improvisa.

Autor

Monique Magalhães Moraes Advogada referência na Defesa dos Médicos no CRM e Judiciário. Conselheira do Hospital Municipal Carlos Tortelly. Fundadora FEC. Compliance Saúde - Hosp. Sírio-Libanês. Coordenadora de Dir. Médico ESA

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