Migalhas de Peso

O contrato que atravessa o ano e passa a impactar o negócio

O ponto em que contratos deixam de ser um tema jurídico e passam a impactar diretamente caixa, operação e reputação das empresas.

15/1/2026
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Em empresas com baixo volume de contratos, a gestão contratual costuma ocorrer de maneira informal. Prazos são lembrados por alguém da área, renovações são acompanhadas de forma pontual e conflitos são resolvidos à medida que surgem.

Esse modelo funciona, enquanto o volume permite. Tenho visto esse ponto de virada acontecer de forma silenciosa em muitas empresas que acreditavam ter a gestão contratual sob controle.

O problema é que ele não escala. E quando deixa de escalar, começa a cobrar.

À medida que o negócio cresce, os contratos se multiplicam, as obrigações se acumulam e o improviso deixa de ser suficiente. O que antes parecia controlável começa a gerar ruído, retrabalho e insegurança.

O impacto aparece fora do jurídico

O primeiro sinal de que algo não vai bem raramente surge no jurídico. Ele aparece no financeiro, quando um reajuste previsto em contrato não é aplicado e compromete a margem. Surge na operação, quando uma obrigação contratual não monitorada gera custo ou atraso. Ou ainda na relação comercial, quando uma renovação automática cria tensão com clientes ou fornecedores.

Nesse momento, o contrato deixa de ser apenas um documento jurídico. Ele passa a impactar diretamente as decisões de negócio. É nesse momento que o contrato deixa de ser percebido como tema jurídico e passa a ser tratado como obstáculo operacional.

O jurídico é acionado, mas já não atua de forma preventiva. Atua para mitigar efeitos.

O erro de diagnóstico recorrente

Diante desses problemas, a reação mais comum é revisar cláusulas, renegociar termos ou questionar a redação original do contrato. Em muitos casos, porém, o texto estava juridicamente correto. O problema não estava na cláusula, mas no que aconteceu depois da assinatura.

O contrato foi bem feito, apenas não foi acompanhado. E, ainda assim, é ele que costuma levar a culpa.

Esse é o ponto em que a ausência de gestão do pós-assinatura se revela como falha estrutural, não técnica.

Contrato como ativo operacional

Quando contratos passam a interferir em caixa, operação e reputação, eles deixam de ser instrumentos jurídicos isolados. Tornam-se ativos operacionais do negócio. E ativos operacionais exigem acompanhamento contínuo, método e rotina.

Ignorar essa realidade é aceitar que o contrato se transforme em fonte recorrente de risco contratual, não por falha jurídica, mas por ausência de governança contratual.

Quando a estrutura tradicional chega ao limite

É nesse ponto que muitas empresas e escritórios percebem que a gestão de contratos não cabe mais como atividade acessória do jurídico. O volume, a complexidade e os impactos envolvidos exigem uma abordagem diferente.

Surge, então, a necessidade de estruturar modelos contínuos de gestão contratual, capazes de acompanhar o ciclo de vida do contrato para além da assinatura, com foco em execução, monitoramento e prevenção de riscos.

Esse movimento não nasce de uma tendência de mercado, mas da constatação prática de que contratos empresariais não se sustentam sem gestão.

Autor

Henrique Flôres Cofundador da Contraktor. Formado em Direito e Sistemas para Internet, especialista em Administração e com MBA em Gestão Estratégica, IA e Marketing.

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