Migalhas de Peso

Os perigos da inteligência artificial nas eleições de 2026

É preciso investir em mecanismos ágeis de verificação, em parcerias com plataformas digitais e em campanhas públicas que ensinem o eleitor a questionar e verificar antes de compartilhar.

19/1/2026
Publicidade
Expandir publicidade

A cada ciclo eleitoral, a tecnologia promete transformar a forma como nos informamos, como tomamos decisões e como participamos da vida democrática. Mas, em 2026, essa promessa carrega um lado obscuro, e a IA - inteligência artificial está no centro dessa tensão.

O fenômeno dos deepfakes e das campanhas de desinformação não são mais hipóteses distantes. Recentemente, em meio à prisão de Nicolás Maduro (um acontecimento que dominou as redes globais) surgiram milhares de imagens e vídeos falsos criados ou amplificados por ferramentas de IA que distorcem a realidade e confundem o público.

Conteúdos falsos que circulam como verdade sobre a captura de Maduro viralizaram em plataformas como X, Instagram e TikTok, misturando imagens reais e geradas por IA de maneira praticamente indistinguível para muitos usuários.

Imagine agora esse tipo de manipulação voltado para um pleito eleitoral que está se aproximando. Gerações de conteúdo falso podem ser produzidas em massa, microdirecionadas a grupos específicos de eleitores, adaptando mensagens com precisão cirúrgica.

E isso não é ficção científica: campanhas coordenadas de desinformação já exploram IA para difundir narrativas contraditórias e desestabilizadoras em momentos de crise.

O impacto dessa avalanche de falsificações vai muito além da confusão momentânea: ela corrói a confiança nas instituições, alimenta teorias conspiratórias e cria uma atmosfera em que parte considerável das pessoas expostas a uma desinformação sequer encontram a desmentida.

Quando “tudo pode ser falso”, o resultado é uma erosão da base mínima de confiança necessária para um debate democrático saudável.

E o mais preocupante: a tecnologia está acessível a qualquer um. Ferramentas que produzem vídeos e áudios enganosos já estão ao alcance de grupos políticos, partidos ou até atores mal-intencionados e sem supervisão.

Isso representa um risco direto ao processo eleitoral: eleitores podem ser influenciados por “provas” fabricadas de promessas, escândalos ou falas infundadas atribuídas a candidatos ou adversários.

Diante disso, o alerta não deve ser apenas técnico, mas institucional, de modo que candidatos, partidos, o Ministério Público e a Justiça Eleitoral não podem tratar a IA como um truque isolado ou novidade passageira.

É preciso investir em mecanismos ágeis de verificação, em parcerias com plataformas digitais e em campanhas públicas que ensinem o eleitor a questionar e verificar antes de compartilhar.

Ao mesmo tempo, não se trata de demonizar a inteligência artificial, mas de administrar seu poder disruptivo com responsabilidade. A IA tem potencial para melhorar a informação (filtrando conteúdos falsos, automatizando checagens e tornando dados eleitorais mais acessíveis).

Todavia, sem regras, fiscalização e educação digital, ela pode se transformar em uma arma poderosa contra a própria democracia.

Estamos a poucos meses de um ciclo eleitoral que promete ser marcado por polarização e competição acirrada. Se não nos anteciparmos ao uso indevido da IA, o resultado pode ser um processo onde a decisão do eleitor não será apenas sobre propostas ou projetos de governo, mas sobre qual realidade ele escolhe acreditar!

Autor

Thalles Vinícius de Souza Sales Presidente do Instituto dos Advogados do Acre - IAAC. Membro da Comissão Nacional de Defesa de Prerrogativas e Valorização da Advocacia, do CFOAB. Diretor da Escola de Prerrogativas da OAB/AC.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Artigos Mais Lidos