Introdução: A Gen Z está no mercado de trabalho e não quer ler documentos extensos e técnicos.
Eles chegaram com tudo no mercado, são digitais por natureza, multitarefas e, sejamos sinceros, não têm paciência para ler documentos extensos, densos e cheios de juridiquês ou termos tecnicismos.
Se você tem a sensação de que suas políticas internas, manuais de conduta e treinamentos obrigatórios estão sendo ignorados, você está certo. A Gen Z apenas está se comunicando na linguagem que domina: interação, imediatismo e experiência de usuário.
O resultado? Um delay no compliance e um risco real de que regras cruciais de segurança, LGPD e ética não sejam absorvidas por quem mais precisa.
A pergunta é: vamos continuar insistindo no PDF de 50 páginas, ou vamos mudar essa realidade?
O problema real: O paradoxo do documento essencial e ilegível
Para as empresas, esses documentos são a espinha dorsal da empresa. São eles que protegem contra riscos, garantem a conformidade legal e estabelecem a cultura. Mas para a Gen Z, e até mesmo para millennials mais novos, eles parecem estar fora da realidade.
- Conteúdo denso: A necessidade de precisão legal ou técnica muitas vezes torna o texto repetitivo e pesado.
- Formato estático: O PDF ou o manual impresso não convidam à leitura. São estáticos e exigem concentração profunda em um mundo de notificações e vídeos curtos.
- Baixa retenção: Quando a leitura é forçada, a retenção da informação cai drasticamente. Não basta que o colaborador diga que leu; ele precisa entender e aplicar.
Não é sobre falta de interesse, é sobre a incompatibilidade do formato. Se um aplicativo possui uma interface ruim, a Gen Z simplesmente desinstala. Em um ambiente corporativo, eles não podem "desinstalar" o manual, mas o ignoram passivamente.
A solução estratégica: Inovação com UX, visual law e gamificação
A resposta não é simplificar a lei, mas simplificar o acesso e a compreensão da lei e das regras internas. A chave é aplicar metodologias comprovadas que elevam a retenção e o engajamento.
1. Visual law e legal design
O visual law é a aplicação de princípios de design para tornar documentos jurídicos e de compliance mais compreensíveis. Não se trata de "deixar bonito", mas de garantir que a mensagem seja absorvida.
Substitua parágrafos longos por fluxogramas de decisão, use infográficos para mostrar a jornada de um dado (LGPD) e insira checklists visuais para procedimentos de RH. O legal design transforma o risco em transparência.
Gamificação – Transformando um manual em uma missão
A gamificação não é colocar um “joguinho”, mas sim usar a mecânica de jogos (pontos, desafios, recompensas) para motivar a ação e o aprendizado.
Quizzes e checkpoints: Ao final de cada seção do manual, um pequeno quiz. Isso atesta o aprendizado de forma imediata.
Simulações de dilemas: Em vez de ler sobre um dilema ético, o colaborador vive ele em um ambiente simulado.
Exemplo: "Um fornecedor te oferece um presente de alto valor. O que você faz?
( ) Aceita;
( ) Recusa e notifica;
( ) Aceita e não conta a ninguém."
O feedback imediato explica o porquê da resposta correta, reforçando a regra de forma prática.
Trilhas de aprendizado com recompensas: O colaborador não apenas lê o manual, ele completa uma "Missão de Onboarding Legal". Ao terminar, ele desbloqueia o próximo nível de treinamento, ou talvez um benefício de RH.
Rankings: Para estimular a competitividade saudável, um ranking de departamentos ou equipes que têm o maior número de "Missões de Compliance" completadas.
O recado para a liderança
Diretores e gerentes, essa não é uma tendência empresarial; é uma necessidade estratégica de mitigação de riscos. A Gen Z, e as gerações futuras, exigirão uma comunicação mais inteligente.
Economizar tempo e dinheiro: Menos tempo gasto em treinamentos presenciais repetitivos e menos erros causados por desinformação.
Construir cultura: Mostrar que a empresa entende a nova dinâmica do trabalho e valoriza a clareza e a experiência do colaborador.
Advogado não é designer.
Na ânsia para entrar no barco da inovação e do visual law, muitos departamentos e escritórios cometem um erro muito comum: Achar que o advogado pode fazer tudo.
A inovação, seja ela qual for é uma atividade multidisciplinar que deve englobar pessoas com diferentes origens e habilidades.
Por melhor que seja o advogado, dificilmente ele terá conhecimento sobre design e experiência suficiente para entregar um resultado que realmente gere valor para um usuário menos técnico.
Uma solução para este problema é a contratação de uma consultoria especializada para o auxílio no desenvolvimento desses documentos.
Chegou a hora de aposentar o PDF de 50 páginas e transformar o manual de conduta em um guia interativo de missões éticas. O jogo está aberto, e a nova geração espera que o seu time saiba jogar.
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Comunique-se. (s.d.). Gamification – Um caminho para o engajamento e a produtividade. Disponível em: [https://www.dio.me/articles/gamificacao-a-estrategia-que-transforma-aprendizado-em-engajamento-5683cd1ee08dl].
Estadão. (s.d.). Texto encolhe e leitores desaprendem a ler textos longos. [https://www.estadao.com.br/educacao/texto-mais-longo-lido-por-23-dos-alunos-do-brasil-nao-passa-de-10-paginas-como-e-em-outros-paises/?srsltid=AfmBOooqHunyFLhuQ7cjC_pwFjShdaBbPP8CAcorzkBLExn90QGHbDt9].
FGV (Fundação Getulio Vargas) /[https://repositorio.fgv.br/items/3c0affc3-c8be-4644-a213-b0eacae3b1ec/full].
GuruMatch. (s.d.). O Poder da Gamificação no Treinamento Corporativo. Disponível em: [https://www.gurumatch.com.br/post/turnover-na-gera%C3%A7%C3%A3o-z-como-conter-a-sa%C3%ADda-de-talentos-com-estrat%C3%A9gias-de-aprendizado-e-desenvolvime].
Migalhas. (s.d.). Não é só para estar na moda. O visual law é uma ferramenta útil para o seu processo [https://www.migalhas.com.br/depeso/406638/o-visual-law-e-uma-ferramenta-util-para-o-seu-processo [Referência a artigos jurídicos sobre Visual Law e a redução de conflitos. Inserir Link da Matéria].