Nos últimos meses, o fechamento e a liquidação de alguns bancos digitais acenderam um sinal de alerta no mercado e levantaram uma pergunta legítima entre consumidores: há risco de mais bancos digitais fecharem, inclusive gigantes como o Nubank?
A resposta curta é: o risco existe no sistema financeiro como um todo, mas ele não é uniforme e depende de indicadores técnicos que raramente são explicados ao público. Entender esses números é o primeiro passo para não cair no pânico - nem na ingenuidade.
Um dos principais termômetros de solidez bancária é o chamado índice de Basileia. Trata-se de um indicador exigido pelo Banco Central que mede a relação entre o capital próprio do banco e os riscos que ele assume em suas operações.
Quanto maior esse índice, maior a capacidade do banco de absorver perdas sem comprometer o dinheiro dos clientes. No Brasil, o Banco Central exige um mínimo de cerca de 11%, mas bancos considerados saudáveis costumam operar bem acima disso. Para facilitar a compreensão, é como se o banco precisasse provar constantemente que tem recursos suficientes para honrar seus compromissos mesmo em cenários de crise.
Quando esse índice cai ou se aproxima do mínimo regulatório, acende-se um alerta: o banco fica mais vulnerável a intervenções, restrições operacionais ou, em casos extremos, à liquidação. Por isso, acompanhar esse indicador ajuda o consumidor a entender por que algumas instituições resistem melhor a crises do que outras.
Para o consumidor, a principal lição é clara: banco digital não é sinônimo automático de risco, mas também não é sinônimo de imunidade. Antes de concentrar valores elevados, é prudente observar se a instituição é regulada pelo Banco Central, se divulga demonstrações financeiras e se mantém boa reputação operacional.