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Legal operations e a geração de valor no jurídico corporativo e nos escritórios de advocacia

O legal operations transforma o jurídico, integrando técnica, dados e estratégia, tornando departamentos e escritórios parceiros de negócio e geradores de valor.

28/1/2026
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Durante muito tempo, o departamento jurídico e os escritórios de advocacia foram percebidos pelas organizações como estruturas essencialmente técnicas, acionadas para responder demandas pontuais, mitigar riscos e garantir conformidade. Embora esse papel continue sendo relevante, ele já não é suficiente para atender às expectativas de um mercado cada vez mais orientado a dados, eficiência e tomada de decisão estratégica.

Hoje, organizações esperam do jurídico, seja ele interno ou prestado por escritórios, algo além da excelência técnica. Esperam visão, previsibilidade e capacidade de gerar valor de forma consistente. Nesse contexto, o legal operations emerge como um modelo que amplia o alcance da atuação jurídica e a conecta de maneira mais estratégica às decisões do negócio.

Os limites do modelo jurídico tradicional

O modelo jurídico tradicional, estruturado de forma excessivamente reativa e técnica, ainda predomina tanto em departamentos jurídicos quanto em escritórios de advocacia. Ele se manifesta em processos pouco padronizados, baixa integração com outras áreas, dificuldade de traduzir informações jurídicas em linguagem acessível para a alta gestão e uma atuação distante das decisões estratégicas do negócio ou dos objetivos do cliente.

Embora juridicamente consistente, esse modelo muitas vezes não dialoga com as necessidades reais de CEOs, CFOs e lideranças executivas, que demandam informações claras, indicadores confiáveis e cenários que apoiem decisões rápidas e seguras. No caso dos escritórios, essa desconexão também se reflete na dificuldade de demonstrar valor de forma estruturada e estratégica aos clientes.

Quando o jurídico, seja interno ou prestado por escritórios, não consegue evidenciar seu impacto, passa a ser percebido apenas como centro de custo ou fornecedor técnico, e não como um parceiro estratégico capaz de contribuir efetivamente para o negócio.

Legal operations como modelo multidisciplinar de atuação jurídica

Legal operations surge exatamente para romper esse paradigma. Mais do que uma área ou um conjunto de ferramentas, trata-se de um modelo de pensamento que integra Direito, gestão, tecnologia, dados e comunicação.

Ao adotar uma abordagem multidisciplinar, o jurídico passa a estruturar processos, definir indicadores, utilizar dados para tomada de decisão e comunicar informações complexas de forma clara e estratégica. O foco deixa de ser apenas a execução jurídica e passa a ser a geração de inteligência.

Nesse contexto, conceitos como governança, eficiência operacional, automação, gestão por indicadores e visual law não são acessórios, mas elementos centrais de uma atuação jurídica madura e alinhada ao negócio.

Impactos reais para empresas e escritórios de advocacia

Os impactos dessa mudança são concretos e mensuráveis. À medida que o legal operations passa a orientar a atuação jurídica, empresas conquistam maior previsibilidade sobre riscos, custos e resultados. A gestão jurídica se torna mais eficiente, não por meio de cortes indiscriminados, mas a partir de decisões embasadas em dados, indicadores e prioridades claramente definidas.

Esse mesmo movimento se reflete no modelo de atuação dos escritórios de advocacia. O legal operations impulsiona uma evolução que vai além da execução técnica, reposicionando o escritório como um parceiro consultivo, estratégico e integrado ao negócio do cliente. A atuação passa a apoiar não apenas a resolução de problemas jurídicos, mas a construção de soluções sustentáveis, capazes de dialogar com a alta gestão e subsidiar decisões executivas.

Como consequência, essa abordagem fortalece relações, amplia a confiança e posiciona o jurídico como um verdadeiro parceiro de negócio, com impacto direto na estratégia e nos resultados das organizações.

O futuro do jurídico passa por pessoas e visão

A transformação na área jurídica não acontece apenas com tecnologia ou novos processos. Ela passa, sobretudo, por pessoas, por uma mudança de mentalidade e pela valorização de profissionais multidisciplinares. Profissionais jurídicos precisam desenvolver uma visão sistêmica, compreender o negócio, dialogar com outras áreas e assumir um papel mais ativo na estratégia das organizações.

Legal operations não é uma estrutura engessada, nem uma fórmula pronta. É uma cultura que reposiciona empresas e escritórios, amplia seu impacto e os conecta de forma mais inteligente às decisões que movem o core business. Nesse contexto, a atuação de times com formações e experiências diversas se torna essencial para traduzir dados, processos e riscos em informação estratégica.

Quando bem implementado, o legal operations permite que departamentos jurídicos elevem seu posicionamento como áreas estratégicas do negócio e que escritórios de advocacia sejam reconhecidos pelos clientes como parceiros capazes de gerar valor, inteligência e vantagem competitiva.

Nesse contexto, o jurídico que gera valor é aquele capaz de alinhar técnica, pessoas e visão estratégica às decisões que movem o negócio e os clientes.

Autor

Patrícia Caúla Head de Legal Operations do André Menescal Advogados.

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