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O papel da advocacia preventiva na advocacia de escala

A advocacia em escala depende do uso estratégico de tecnologia, dados e IA para garantir eficiência, gestão qualificada e atuação preventiva contínua.

11/2/2026
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Empresas que têm um elevado número de processos, geralmente buscam no mercado jurídico, escritórios de advocacia que possam atendê-los em grande escala, com a mesma eficiência e gestão como se a contratação fosse de um caso apenas.

Grandes escritórios conseguem entregar essa eficiência e gestão de uma carteira massificada, graças à existência de equipe de colaboradores, internos e externos, cada vez mais multifuncional e de estrutura tecnológica robusta, que otimiza, e compila dados essenciais para a tomada mais assertiva das decisões.

Os benefícios da tecnologia no âmbito jurídico seja nos departamentos jurídicos ou nos escritórios, é um caminho que tende a se aperfeiçoar mais e mais a cada dia, conforme a evolução tecnológica, e que concordo com Gustavo Artese, que podemos classificar em sete estágios1, que são: 1º estágio - Softwares de consulta a leis e jurisprudência, 2º estágio - ERPs jurídicos e sistemas de gestão processual, 3º estágio - CLMs - Contract Lifecycle Management, 4º estágio - Compliance e governança documental (legal ops), 5º estágio - IA analítica, 6º estágio - IA generativa com assistentes, 7º estágio - IA generativa com agentes autônomos.

Analisando a evolução da tecnologia aplicada aos sistemas jurídicos a partir do 5º estágio, a eficiência na gestão de uma carteira de processos massificada, está cada dia mais efetiva, temporal e assertiva.

O uso de dados extraídos da jurimetria analítica, permite aos escritórios analisar de maneira preditiva, as tendências, comportamentos e padrões de decisões, que são utilizados para calcular os riscos de um processo. Já os estágios seguintes só demonstram a rapidez com o que as IAs, evoluem.

A utilização das tecnologias jurídicas, tendem a ser cada vez mais personalizadas, contudo a segurança em sua utilização requer que qualquer dado extraído, peças processuais ou análises de risco sofram revisão humana criteriosa até a integral adequação ao pretendido.

Nesse cenário, com tantas ferramentas tecnológicas, é certo que os escritórios devem fazer o uso desses sistemas, não somente para atuar na defesa dos interesses dos seus clientes junto ao Judiciário, mas, principalmente para mostrar onde estão os equívocos operacionais e sugerir a implementação de correções para prevenir a distribuição de novas demandas.

Os escritórios quando são contratados para defender os seus clientes, não podem simplesmente remediar os problemas, mas, sim, ser um efetivo parceiro que atue de maneira proativa preventivamente, em um movimento de retroalimentação contínuo para tornar a operação de seu cliente mais eficiente.

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1 https://www.jota.info/opiniao-e-analise/artigos/a-evolucao-dos-softwares-juridicos-e-a-revolucao-cognitiva-no-legal-ops

Autor

José Campello Torres Neto Membro da Comissão Especial de Direito Empresarial da Ordem dos Advogados do Brasil OAB/RJ de 2016 a 2022. Graduado em Ciências Jurídicas e Pós Graduado em Direito Processual Civil pela Escola Superior de Advocacia - ESA/RJ.

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