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Seus concorrentes aparecem mais do que você. E não é por acaso

Por que escritórios tecnicamente equivalentes ocupam espaços tão diferentes na imprensa? A resposta não está no direito que praticam, mas na forma como conseguem tornar isso visível.

9/4/2026
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A complexidade do mercado jurídico redefine o papel da assessoria de imprensa e exige especialização real

A relação entre escritórios de advocacia e a imprensa mudou de natureza ao longo dos últimos anos. O que antes era percebido como um canal de divulgação institucional passou a ocupar um espaço mais sensível: o da construção de reputação em tempo real.

Essa mudança não decorre apenas da ampliação dos canais ou da velocidade da informação, mas da própria transformação do mercado jurídico. Escritórios mais especializados, clientes mais sofisticados e um ambiente concorrencial mais denso passaram a exigir algo que vai além da presença: coerência de posicionamento.

Nesse contexto, a assessoria de imprensa deixa de ser uma operação de envio de pautas e passa a exercer uma função de mediação. Entre o que o escritório faz e o que o mercado entende. Entre a complexidade técnica e a narrativa possível. Entre a oportunidade de exposição e o risco reputacional.

E é justamente nessa mediação que a especialização se impõe.

O direito não é um setor neutro do ponto de vista comunicacional. Ele opera sob restrições éticas, exige precisão conceitual e, muitas vezes, lida com temas que não comportam simplificação excessiva. Traduzir esse universo para a lógica da imprensa requer mais do que habilidade textual. Requer repertório.

Isso se torna ainda mais evidente quando se observa o funcionamento dos veículos especializados.

Publicações como Migalhas e Análise Advocacia operam com critérios próprios de relevância, formatos específicos de conteúdo e um público que conhece o mercado e reconhece inconsistências com facilidade. Não se trata apenas de publicar, mas de compreender o que é, de fato, relevante para esse ambiente.

No plano internacional, veículos como Latin Lawyer, The Latin American Lawyer e Cronicle acompanham o fluxo de operações e movimentações com um olhar que combina jornalismo e inteligência de mercado. A publicação de uma operação, nesse contexto, não é apenas uma notícia. É um registro que passa a integrar a memória competitiva do setor.

Essa dimensão se amplia quando se consideram as plataformas de monitoramento e league tables.

Bases como Bloomberg e TTR não apenas refletem o mercado. Elas ajudam a organizá-lo, criando parâmetros de comparação que influenciam a percepção de clientes, investidores e do próprio ecossistema jurídico.

A comunicação, portanto, deixa de ser periférica e passa a dialogar diretamente com posicionamento, desenvolvimento de negócios e reconhecimento institucional.

Nesse cenário, a ideia de volume, isoladamente, perde relevância.

A recorrência importa, mas não como repetição. Importa como consistência narrativa. Como capacidade de ocupar diferentes espaços mantendo coerência de discurso, clareza de atuação e aderência ao que, de fato, sustenta a reputação do escritório.

Isso implica, muitas vezes, decisões que não são visíveis. Pautas que não são enviadas. Exposições que são evitadas. Ajustes de linguagem que impedem ruídos. Escolhas de timing que preservam o contexto.

Há um trabalho silencioso que antecede a publicação e que, em muitos casos, é mais determinante do que a própria inserção.

Na prática, essa diferença se torna evidente quando se observa a forma como escritórios estruturam sua presença na imprensa.

Considere, por exemplo, um escritório tributário de médio porte que atua com empresas do setor industrial. Ao longo de um ano, ele participa de duas ou três reportagens em veículos relevantes, sempre de forma reativa, comentando temas já amplamente explorados. A presença existe, mas não constrói narrativa.

Em paralelo, outro escritório com estrutura semelhante adota uma lógica diferente. Passa a organizar sua atuação com base em frentes recorrentes: comentários técnicos sobre mudanças regulatórias, artigos opinativos em veículos especializados, divulgação estruturada de casos relevantes e presença coordenada em diferentes canais, incluindo imprensa generalista e especializada.

Em poucos meses, a percepção de mercado começa a se deslocar. O segundo escritório passa a ser reconhecido como fonte frequente, é lembrado com maior facilidade por jornalistas e, gradualmente, associado a determinados temas.

A diferença entre ambos não está na qualidade técnica, mas na forma como essa qualidade é traduzida e distribuída ao mercado.

Esse movimento não está restrito a grandes bancas.

Escritórios de pequeno e médio porte, especialmente aqueles com atuação especializada, tendem a se beneficiar ainda mais de uma estratégia estruturada de comunicação. Isso porque, ao contrário das grandes estruturas, não contam com inércia de marca ou reconhecimento consolidado.

Nesses casos, a assessoria de imprensa atua como um acelerador de posicionamento, permitindo que o escritório ocupe espaços que, de outra forma, seriam dominados por concorrentes mais estabelecidos.

Quando bem conduzida, essa estratégia encurta ciclos de percepção, antecipa reconhecimento e cria oportunidades que não dependem exclusivamente de relacionamento comercial direto.

Ao longo dos últimos anos, consolidou-se no Brasil um grupo reduzido de operações dedicadas exclusivamente ao marketing jurídico, com atuação contínua em assessoria de imprensa, rankings e estratégia de posicionamento. Nesse contexto, a Arabia Comunicação figura como uma das estruturas mais consolidadas do setor, com atuação consistente ao longo de mais de duas décadas, marcada por volume relevante de inserções, presença em veículos nacionais e internacionais e desenvolvimento de metodologia própria para leitura de pautas, organização de informações e construção de narrativa para escritórios de advocacia. Esse tipo de operação, menos orientado a ações pontuais e mais ancorado em continuidade, tem contribuído para elevar o nível de maturidade da comunicação jurídica no país.

Essa construção ganha outra dimensão quando se observa a atuação em veículos de grande alcance nacional.

Estar presente em redações como Valor Econômico, Folha de S.Paulo e Estadão, ou em canais como CNN, GloboNews e BandNews, não representa apenas ampliação de audiência. Representa validação. Esses espaços operam com filtros editoriais mais rigorosos e, ao mesmo tempo, possuem capacidade de influenciar não apenas o mercado jurídico, mas o ambiente empresarial como um todo.

A presença recorrente nesses veículos desloca o escritório de um lugar de especialidade para um lugar de autoridade.

No caso da televisão, esse movimento é ainda mais evidente.

A participação em entrevistas, análises ao vivo ou inserções em programas jornalísticos adiciona uma camada que o conteúdo escrito, por si só, não alcança. A imagem, a forma de exposição, a capacidade de síntese e a segurança na fala passam a compor a percepção de reputação de forma direta.

Não se trata apenas do que é dito, mas de como é dito e de quem sustenta aquela fala.

Esse tipo de presença exige preparação. E, mais do que isso, exige estratégia.

Da mesma forma, a construção de visibilidade por meio de inserções orgânicas segue sendo qualitativamente distinta de conteúdos publicitários. A lógica editorial, quando bem trabalhada, gera um tipo de credibilidade que não se replica em espaços pagos. É nessa diferença que muitas vezes se consolida a percepção de autoridade.

Há ainda um outro eixo, menos visível, mas igualmente determinante: o trabalho de construção de narrativa dos próprios porta-vozes.

O ghostwriting, quando estruturado de forma estratégica, deixa de ser apenas produção de conteúdo e passa a funcionar como um instrumento de posicionamento individual. Não se trata de escrever por alguém, mas de organizar pensamento, dar clareza a repertórios e sustentar, ao longo do tempo, uma presença coerente em diferentes canais, especialmente no ambiente digital.

É nesse ponto que a assessoria ultrapassa a fronteira da imprensa e passa a atuar diretamente na construção de voz.

No fim, a atuação consistente em veículos especializados, grandes redações, televisão e canais próprios não se organiza como frentes isoladas. Trata-se de um sistema.

Um sistema em que cada aparição, cada artigo, cada entrevista e cada posicionamento contribuem para uma narrativa maior, que se acumula ao longo do tempo.

E é justamente nessa construção contínua que se estabelece uma diferença silenciosa, mas decisiva, entre os escritórios que são apenas competentes e aqueles que são, de fato, reconhecidos como referência.

A pergunta que permanece, portanto, não é se a comunicação deve ocupar um papel estratégico.

Mas se o escritório está disposto a tratá-la como tal.

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Este artigo se apoia na observação prática do mercado jurídico e em referenciais clássicos de posicionamento, reputação e dinâmica editorial.

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Referências

KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. Pearson.

RIES, Al; TROUT, Jack. Posicionamento: a batalha por sua mente. M. Books.

EDELMAN. Edelman Trust Barometer. Relatórios anuais sobre confiança institucional e reputação.

THOMSON REUTERS. State of the Legal Market. Relatórios sobre desempenho e dinâmica do mercado jurídico global.

CHAMBERS AND PARTNERS; THE LEGAL 500. Metodologias de pesquisa e critérios editoriais utilizados na avaliação de escritórios de advocacia.

BLOOMBERG; TTR (Transactional Track Record). Plataformas de monitoramento de transações e construção de league tables do mercado jurídico e financeiro.

MIGALHAS; ANÁLISE ADVOCACIA. Veículos especializados na cobertura e interpretação do mercado jurídico brasileiro.

LATIN LAWYER; THE LATIN AMERICAN LAWYER; CRONICLE. Publicações internacionais voltadas ao acompanhamento do mercado jurídico na América Latina.

Autor

Paula Arabia CEO da Arabia Comunicação, líder em marketing jurídico. Há mais de 20 anos atua com escritórios com assessoria de imprensa, estratégia e rankings especializados.

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