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61% dos jurídicos já testam IA autônoma e só 24% sabem quando ela erra

A maioria já testa IA que age sozinha, mas poucos sabem como verificar quando ela erra. Veja por onde começar.

20/7/2026
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O mercado jurídico está numa corrida por capacidade. A pergunta que quase ninguém faz é quem está correndo com freio.

O tamanho do descompasso está num par de números. 61% dos departamentos jurídicos já testam IA que age de forma autônoma, sistemas que decidem e executam passos sem intervenção a cada etapa. Mas apenas 24% têm um processo definido para checar a qualidade do que essa IA entrega. Ou seja: para saber quando ela errou. Os dados são de um estudo da Deloitte sobre IA no jurídico, publicado em junho.

E esse 24% não é um número qualquer. Dentre todos os controles que a pesquisa mediu, o controle de qualidade da IA é o que menos existe. É a maior lacuna de todas.

Em um estudo mais amplo da Deloitte sobre IA nas empresas, o quadro se repete: só 21% têm governança madura para agentes que operam sozinhos. E a corrida não vai desacelerar. O uso de IA autônoma nas empresas deve saltar de cerca de um quarto hoje para três em cada quatro em dois anos. Muita capacidade nova entrando, com pouco freio pronto.

O custo do erro tem CNPJ

No jurídico, esse atraso pesa mais do que em outras áreas. Uma cláusula alucinada não é um erro de digitação. É um passivo. Um prazo lido errado não é um bug, é uma renovação automática que ninguém queria, um reajuste que passou batido, uma exposição em auditoria. O custo do erro aqui tem CNPJ.

Vale um exemplo concreto. Uma IA autônoma recebe a tarefa de revisar contratos de fornecedor e sinalizar cláusulas fora do padrão. Ela processa centenas de documentos numa madrugada. Em um deles, interpreta uma multa por rescisão como dentro do aceitável, porque o valor estava escrito por extenso e ela leu errado. Ninguém revisou, afinal, "a IA já tinha olhado". O erro só aparece quando a empresa tenta rescindir e descobre a conta. Nesse cenário, o problema não foi a IA agir. Foi ela agir sem ninguém checando onde ela poderia ter errado.

É justamente onde a IA age sozinha que o erro fica mais difícil de pegar. Se a máquina decide e executa sem deixar rastro, ninguém sabe onde a régua falhou. E, segundo a própria Deloitte, o uso autônomo no jurídico está começando exatamente pelos pontos de maior volume: triagem de demandas, encaminhamento de trabalho e fluxos de revisão de contrato. Volume alto é onde o erro se multiplica rápido.

A corrida certa é por controle

Daí a tese: A corrida certa não é por mais autonomia. É por controle na medida da autonomia que você já tem.

Controle, aqui, não é burocracia. É desenho. É a IA propor e o humano decidir. É a máquina ler o contrato com a régua que o próprio jurídico definiu, não com um critério genérico que veio de fábrica. É todo movimento deixar rastro: quem revisou, quem aprovou, quem bateu o martelo. Sem esse registro, você não tem governança. Tem torcida.

Quando o controle existe, a IA autônoma vira aliada. Quando não existe, ela vira uma aposta cara feita no escuro.

É copiloto, não piloto. E deixa registrado quem decidiu o quê, pra que a régua seja auditável depois. Numa área em que "depois" costuma ser tarde demais, esse rastro é o que separa o uso responsável da aposta.

O ponto não é frear a IA. É parar de tratar controle como o item que fica pra depois. Testar IA autônoma é fácil, 61% já fazem. Saber quando ela errou é a parte difícil. E é a que vai definir quem confia nela de verdade.

Autor

Bruno Doneda Fundador e CEO da Contraktor, formado em Direito e Tecnologia, atua especialmente nas frentes de vendas e marketing.

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