Migalhas Quentes

Advogada mordida por tubarão em Noronha faz “defesa” do animal

Tayane Dalazen criticou atitude de guia que atingiu um dos tubarões no local e citou decreto que prevê multa por perturbação da fauna.

21/1/2026
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A advogada Tayane Dalazen, mordida por um tubarão-lixa no dia 9, na Praia do Porto, em Fernando de Noronha/PE, usou o episódio para alertar sobre a convivência com a fauna silvestre e brincou ter feito uma "sustentação oral" em defesa do animal.

Vídeo gravado momentos antes do ataque mostra um homem, que seria guia de outro grupo, atingindo um dos tubarões com uma câmera GoPro. Para Tayane, a conduta merece apuração. Ao Migalhas, ela afirmou não poder estabelecer relação entre o gesto e o incidente, mas ressaltou que, independentemente do desfecho, atitudes que possam representar perturbação aos animais devem ser investigadas.

A advogada, que atua na área Trabalhista no escritório Pessoa & Pessoa Advogados, é filha do ex-presidente do TST, ministro João Oreste Dalazen, falecido em 2024. Ao abordar o caso sob a ótica jurídica, citou o decreto 6.514/08, que prevê multa de até R$ 10 mil para quem tocar, assediar ou perturbar animais silvestres.

“Então fica aqui a minha sustentação oral. Com respeito e amor ao debate, em defesa do meu cliente: o tubarão.”

Possível perturbação

Em vídeo publicado nas redes, Tayane relatou que a espécie não costuma atacar humanos e que, no momento do incidente, não havia qualquer fator que pudesse atrair o tubarão, como alimentos, joias ou acessórios brilhantes. Os ferimentos que sofreu, segundo ela, foram leves.

A advogada contou que entrou no mar a partir da praia, com snorkel, e nadou até o ponto do mergulho. Disse que nadava próxima aos tubarões com cautela, justamente para evitar contato, quando percebeu alvoroço no grupo. Momentos depois, ao mergulhar, sentiu a mordida. “Em nenhum momento toquei, alimentei ou provoquei qualquer animal, nem saltei de embarcação.

Em vídeo gravado pouco antes do ataque, é possível ver que um guia de outro grupo teria atingido um tubarão com uma câmera. Ela disse não saber se a mordida pode ter sido influenciada pela ação, mas ressaltou que a conduta deve ser apurada.

Para a advogada, a situação contraria orientações geralmente recomendadas em encontros com tubarões. "O que orientam é o oposto: manter a calma, evitar movimentos bruscos e não agitar o ambiente."

Advogada mordida por tubarão em Noronha faz "sustentação oral" pelo animal.(Imagem: Reprodução/Instagram)

Segundo ela, reações físicas só seriam indicadas em situações de risco real — o que, na avaliação dela, não se verificaria nas imagens. “Não era uma situação de ataque iminente, a ensejar uma pancada na cabeça do animal.”

Convidada a participar do programa Encontro, da Rede Globo, Tayane comentou que discordou da avaliação de um especialista apresentada durante a atração, segundo a qual a reação do guia seria comum quando o animal se aproxima a curta distância.

“Doutora tubarão”

A advogada contou de forma bem-humorada que passou a ser chamada de “doutora tubarão”. No Instagram, disse que o ano começou "de forma marcante", mas mostrou que a ferida está cicatrizando bem.  

"Há situações que nos tornam mais resilientes e nos ensinam a ressignificar os percalços vividos."

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Um post compartilhado por Tayane Cachoeira Dalazen (@taydalazen)

Tayane destacou que, embora ferimentos causados por animais exijam cuidados específicos, está fora de risco e pretende retornar ao arquipélago.

Monitoramento

Após o incidente, o governo de Pernambuco anunciou a retomada de um projeto de monitoramento de tubarões que estava encerrado há 11 anos. A medida foi publicada no Diário Oficial no último dia 14, com previsão de início das atividades em maio.

O edital prevê investimento de R$ 1,052 milhão, com duração de dois anos, para financiar pesquisas acadêmicas voltadas ao acompanhamento dos padrões de deslocamento e da ecologia comportamental das espécies no litoral pernambucano. Segundo informações divulgadas pelo Executivo estadual, Pernambuco concentra cerca de 60% dos ataques de tubarão registrados no país.

Atualmente, o monitoramento contínuo ocorre apenas no Arquipélago de Fernando de Noronha, mas a iniciativa deve ampliar a atuação para toda a costa continental, com a proposta de mapear zonas de risco, atualizar dados científicos e aprimorar estratégias de prevenção, comunicação e segurança aquática. A expectativa é que os resultados também subsidiem medidas e orientações voltadas à preservação e ao manejo da fauna marinha.

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