A antecipação de créditos judiciais vem ganhando espaço no Brasil como alternativa de liquidez e previsibilidade financeira. Tradicionalmente mais presente em processos de valores elevados — acima de R$ 50 mil —, o modelo começa a alcançar também demandas de menor valor.
Nos JECs, advogados que atuam com alto volume de ações convivem com uma dinâmica particular: decisões relativamente céleres na fase inicial, mas prazo prolongado até o efetivo recebimento dos valores reconhecidos judicialmente.
Em ações de até R$ 20 mil — muitas vezes inferiores a R$ 10 mil — o intervalo entre o ajuizamento e o pagamento pode impactar o fluxo de caixa dos escritórios, especialmente em operações estruturadas em volume e com custos recorrentes. Nesse contexto, a antecipação de créditos tem sido apresentada por empresas do setor como alternativa financeira tanto para clientes quanto para a gestão estratégica das bancas.
Segundo a Atho Capital, é nesse cenário que a empresa estruturou sua atuação voltada à antecipação de recebíveis originados em processos dos JECs, posicionando-se como parceira de advogados na cessão de créditos judiciais.
De acordo com a companhia, na prática forense é comum que escritórios conduzam grande quantidade de ações de pequeno valor, modelo que permite ganho de escala, mas também impõe desafios como:
- Custos administrativos significativos e recorrentes para acompanhamento processual;
- Honorários condicionados ao desfecho e ao efetivo pagamento;
- Alto índice de acordos tardios;
- Execuções prolongadas.
Ainda conforme a empresa, esse cenário pode resultar em capital imobilizado por períodos extensos, afetando a previsibilidade financeira das bancas.
O modelo adotado pela Atho Capital, conforme informado, baseia-se na cessão do crédito judicial. O autor opta por antecipar o valor do processo mediante desconto, enquanto a empresa assume o risco relacionado ao prazo e ao resultado da demanda até seu desfecho.
Na avaliação da companhia, para o advogado o impacto envolve a redução do ciclo financeiro do processo e maior previsibilidade no encerramento dos casos.
A empresa afirma ter desenvolvido tecnologia proprietária voltada à automação de etapas como triagem, análise de viabilidade, modelagem de risco, negociação, formalização eletrônica da cessão e acompanhamento processual. Segundo dados divulgados pela gestora, a automação pode reduzir significativamente o esforço operacional e viabilizar a antecipação de créditos de menor valor.
Ainda conforme informações da empresa, o segmento de créditos judiciais de pequeno valor movimentaria cerca de R$ 23 bilhões por ano, embora historicamente tenha sido menos explorado por grandes fundos em razão do custo operacional e da complexidade de análise em escala.
A Atho Capital informa possuir atualmente mais de 14 mil processos sob gestão e mais de 200 mil processos já negociados.
Em um ambiente de maior demanda por eficiência e previsibilidade financeira, iniciativas de antecipação de créditos judiciais têm sido apontadas por empresas do setor como alternativa para reorganização do fluxo de caixa em escritórios que atuam com grande volume de demandas.