Ontem, o “Gilmarpalooza”; hoje, a “Gilmarlândia”. Se um evento anual já ganhou o codinome do decano da Corte, agora o ministro Gilmar Mendes aparentemente alcança novo patamar no universo das nomenclaturas in loco.
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Projeto apresentado, no último sábado, 21, no interior de Mato Grosso, prevê a criação de um município - oficialmente chamado Nova Aliança do Norte, mas já rebatizado informalmente com o nome do ministro.
A futura cidade está planejada para uma área entre Diamantino - terra natal de Gilmar - e São José do Rio Claro, em região marcada pela forte expansão do agronegócio.
O empreendimento foi apresentado pelo produtor rural Eraí Maggi, primo do ex-ministro da Agricultura do governo Temer e ex-governador de Mato Grosso Blairo Maggi, e contou com a presença do próprio ministro no lançamento.
Caso avance pelas etapas legais, como estudos de viabilidade, consulta pública e aprovação legislativa, será o 143º município mato-grossense.
Para efeito de comparação, o Estado de São Paulo reúne 645 municípios e Minas Gerais, 853. Em território mato-grossense, porém, onde a expansão territorial e a criação de cidades relativamente recentes fazem parte da própria dinâmica de ocupação, a novidade não chega a causar espanto.
O que chama atenção, porém, é o fenômeno nominal. Gilmar Mendes talvez seja hoje o ministro do STF que mais inspire nomenclaturas.
Esforço político e estrutura mínima
Em entrevista durante o evento que apresentou o projeto, ministro Gilmar Mendes destacou a importância da iniciativa como núcleo de apoio às famílias e trabalhadores da região.
"Eu acho importante essa iniciativa de se ter um núcleo de apoio para as famílias e pessoas que trabalham nessa região. Já temos a experiência da Deciolândia e agora temos esse projeto que há muito era sonhado, e acho que agora começa a ter desdobramento", afirmou.
Deciolândia é um distrito localizado na zona rural de Diamantino/MT, criado a partir da expansão da atividade agropecuária na região.
Questionado sobre o fato de que a criação de municípios demanda esforço político e pode levar anos - como ocorreu com Boa Esperança do Norte -, Gilmar reconheceu os desafios.
"Precisa ter um esforço bastante grande de todas as pessoas e todas as instituições."
Segundo o ministro, a proposta envolve a instalação de estruturas básicas, como escolas, espaços de lazer e unidades de atendimento à saúde para trabalhadores e moradores das cercanias.
"O que se busca é instalar escolas, instalar espaços de lazer para as pessoas, espaços de tratamento de saúde para as pessoas que eventualmente trabalham ou até moram nessas cercanias."
Por onde ândiarmos...
O Brasil gosta de batizar cidades com nomes próprios. Está no DNA cartográfico nacional.
- Medicilândia/PR homenageia o presidente Emílio Garrastazu Médici.
- Andrelândia/MG remete a André da Silveira, figura ligada à formação histórica da região.
- Orlândia/SP deriva do engenheiro Orlando Pereira de Carvalho.
- Rolândia/PR, nome de origem germânica, derivado de Roland - lendário guerreiro medieval associado aos ideais de "liberdade e justiça".
- Prudentópolis/PR homenageia o presidente Prudente de Moraes.
- Janiopólis/PR reverencia Jânio Quadros.
- Florianópolis/PR homenageia Floriano Peixoto.
- Governador Valadares/MG leva o nome do ex-governador Benedito Valadares.
- Presidente Sarney/MA é tributo ao ex-presidente José Sarney.
- Braganey/PR combina referências à família Braga e ao ex-governador Ney Braga.
- Teixeira de Freitas/BA homenageia o jurista Augusto Teixeira de Freitas.
- Ruy Barbosa/BA celebra o jurista e político baiano que dispensa qualificativos.
A República sempre teve queda por eternizar personagens no mapa.
Aliás, em observação ligeira e sem qualquer método científico, o Paraná parece particularmente entusiasmado com a prática.
Se é de bom ou mau tom, fica a critério. Ministros, agora, além de entrarem para a História, também fazem Geografia.