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Ganhos da tecnologia devem beneficiar trabalhadores, avaliam especialistas

Impactos da tecnologia e da redução da jornada de trabalho foram tema de debates no XIV Fórum de Lisboa.

3/6/2026
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A redução da jornada de trabalho, os efeitos da inteligência artificial sobre a produtividade e os desafios de conciliar desenvolvimento econômico, qualidade de vida e proteção social estiveram no centro do debate “O futuro do trabalho: tecnologia, diminuição da jornada e seus impactos econômicos e sociais”, realizado durante a 14ª edição do Fórum de Lisboa. A moderação do painel foi conduzida por Alexandre Luiz Ramos, Ministro do TST.

Guilherme Feliciano, Leo Prates, Morgana de Almeida, Alexandre Luiz Ramos, Vilma Pinto e João Campos debateram desafios trabalhistas.(Imagem: Divulgação/IDP)

Falta de tempo

Ao abordar a proposta de redução da jornada de trabalho, a ministra Morgana de Almeida, do TST, destacou que a discussão deve ser compreendida como parte de processo histórico de transformação das relações laborais. Segundo ela, o Brasil já experimentou movimentos semelhantes, como a redução da jornada semanal de 48 para 44 horas promovida pela CF/88. Para a magistrada, a implementação de mudanças dessa natureza exige um período de transição institucionalmente estruturado, preservando os níveis remuneratórios dos trabalhadores e valorizando a negociação coletiva.

Morgana também chamou atenção para o paradoxo contemporâneo entre os avanços tecnológicos e a percepção de falta de tempo. Para ela, se a inteligência artificial tem potencial para ampliar a produtividade, é necessário discutir de que forma os ganhos gerados serão distribuídos na sociedade. A ministra defendeu que os avanços tecnológicos contribuam para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, ampliando o tempo disponível para lazer, convivência familiar e desenvolvimento pessoal.

Produtividade

O relator da PEC que reduz a jornada de trabalho, deputado federal Leo Prates, afirmou que o debate sobre produtividade não pode ser restrito ao desempenho individual dos trabalhadores, devendo considerar também a capacidade de inovação das empresas. Segundo ele, a redução da jornada cria condições para que os profissionais tenham mais tempo para qualificação e desenvolvimento de competências, favorecendo a adaptação às novas exigências do mercado de trabalho.

Qualidade de vida

Já o ex-conselheiro do CNJ e juiz do trabalho Guilherme Feliciano destacou que um dos principais desafios do século XXI será garantir que os ganhos proporcionados pela tecnologia sejam convertidos em benefícios concretos para os trabalhadores. Segundo ele, embora os avanços tecnológicos permitam produzir mais em menos tempo, observa-se um aumento da intensidade do trabalho e das demandas relacionadas à saúde mental. Para Feliciano, temas como direito à desconexão, lazer, criatividade e realização pessoal devem ocupar posição central na agenda do futuro do trabalho.

Indicadores econômicos e sociais

A diretora de Assuntos Econômicos e Sociais da Vice-Presidência da República Federativa do Brasil e professora do IDP, Vilma Pinto, contextualizou o debate a partir dos indicadores econômicos e sociais. Ela ressaltou que o Brasil vive um período de resultados positivos na geração de empregos e destacou a importância de avaliar os impactos econômicos e distributivos de eventuais mudanças na jornada de trabalho. Segundo a economista, qualquer transformação deve considerar as diferentes realidades dos setores produtivos e dos trabalhadores brasileiros.

Ela enfatizou que o avanço tecnológico pode representar uma oportunidade para promover maior bem-estar, desde que acompanhado por políticas públicas capazes de ampliar a qualificação profissional e reduzir desigualdades.

Empresas no debate

Durante o debate, o ex-Prefeito de Recife e Presidente do PSB, João Campos, destacou a importância de inserir as micro e pequenas empresas na discussão sobre o futuro do trabalho. Segundo o ministro, esse segmento desempenha papel fundamental na geração de empregos e na dinamização da economia brasileira, razão pela qual eventuais mudanças regulatórias devem considerar seus impactos sobre a atividade empresarial e a capacidade de contratação. Além disso, destacou a relevância de pensar a qualificação do trabalhador no novo cenário tecnológico.

O evento

O XIV Fórum Lisboa acontece de 1 a 3 de junho e tem como tema "Nova Ordem Internacional, Tecnologia e Soberania: Desafios democráticos, econômicos e sociais". O evento reúne autoridades e acadêmicos de diversas áreas para debater questões ligadas à inteligência artificial, regulação de plataformas digitais, proteção de crianças no ambiente online, segurança pública e impactos da tecnologia sobre a democracia.

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