Os advogados Daniel Kalansky e João Gabriel Volasco Rodrigues, sócios do Loria e Kalansky Advogados, lançam o livro "Investimentos em Special Situations", publicado pela Editora Migalhas. Em 239 páginas, a obra aborda como disputas societárias, créditos judiciais e tributários, recuperações judiciais, falências, heranças e honorários advocatícios podem ser analisados também sob uma perspectiva financeira.
A proposta dialoga com um cenário marcado pelo elevado volume de conflitos e créditos. O Brasil encerrou 2025 com 75,5 milhões de processos em tramitação e 40,9 milhões de novos casos, segundo o CNJ. No ambiente empresarial, 2.466 companhias estiveram em recuperação judicial, recorde da série da Serasa Experian.
É nesse contexto que o livro explora as special situations, operações em que o valor de um ativo depende da resolução de um conflito, da recuperação de um direito ou de uma reestruturação empresarial. Um investidor pode financiar uma disputa, adquirir um crédito com desconto ou antecipar recursos para quem possui um direito, mas não pode esperar anos até o recebimento.
Além disso, a obra apresenta casos de empresas com créditos judiciais relevantes que podem antecipar recursos antes do fim dos processos. Aborda também a antecipação de honorários vinculados ao êxito de ações e a conversão, por herdeiros, de direitos sobre patrimônios ainda em inventário em liquidez. Nessas operações, o investidor assume riscos relacionados ao prazo, ao resultado do processo e à capacidade de recuperação dos valores.
"Existe um enorme volume de ativos que permanece invisível para grande parte do mercado. São créditos judiciais, disputas societárias, direitos hereditários, honorários advocatícios, créditos tributários e oportunidades em processos de insolvência que podem ser transformados em liquidez" afirma Daniel Kalansky.
A publicação destaca ainda que a existência de um processo não basta para caracterizar uma oportunidade. A análise considera a qualidade jurídica do direito, o patrimônio do devedor, as garantias, o prazo estimado e os custos de execução. Segundo o livro, um crédito elevado pode ter baixo valor econômico diante da ausência de bens ou de riscos jurídicos excessivos.
A obra também discute o desenvolvimento desse mercado no exterior. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, fundos especializados já financiam litígios, escritórios de advocacia e investem em ativos de empresas em reestruturação. No Brasil, o mercado ainda é menos desenvolvido, mas começa a avançar com novas gestoras de investimentos alternativos, estruturas dedicadas à avaliação desses ativos por equipes multidisciplinares e cursos sobre o tema.
Para os autores, o próximo ciclo será marcado pela profissionalização. Advogados precisarão compreender valuation e análise de risco, enquanto gestores terão de conhecer processos judiciais, insolvência e recuperação de ativos.