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EUA: Barriga de aluguel consegue tratamento para bebê com cardiopatia; pais pediram aborto

Justiça do Texas determinou que recém-nascido receba cuidados necessários à sobrevivência; mulher que conduz a gestação não poderá ter contato com a criança após o parto.

12/8/2026
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Uma disputa envolvendo gestação por substituição, direitos parentais e tratamento médico de um bebê com cardiopatia congênita chegou à Justiça do Texas, nos Estados Unidos.

Nesta terça-feira, 11, uma ordem emergencial garantiu que a criança receba os cuidados médicos indicados após o nascimento, mesmo diante da oposição dos pais biológicos.

A gestante, McKenna West, é enfermeira do Alasca e está na reta final da gravidez. Durante a gestação, o bebê, chamado Gabriel, foi diagnosticado com síndrome da hipoplasia do coração esquerdo, condição cardíaca grave que exige tratamento logo após o parto.

O que é cardiopatia congênita?A cardiopatia congênita é uma alteração na estrutura ou no funcionamento do coração que se desenvolve ainda durante a gestação. A condição pode variar de alterações leves a quadros mais graves, que exigem acompanhamento especializado e, em alguns casos, cirurgia logo após o nascimento.

Segundo o jornal O Globo, informações apresentadas no processo mostram que após o diagnóstico, os pais biológicos, Nausheen Gilkar e Omar Ahmed, pediram que West interrompesse a gravidez.

A enfermeira recusou e posteriormente viajou ao Texas em busca de atendimento especializado para a criança.

Tratamento garantido

O caso levou à intervenção do procurador-geral do Texas, Ken Paxton, que pediu à Justiça uma medida emergencial para assegurar atendimento ao bebê.

A ordem estabelece que, após o nascimento, Gabriel deverá receber os cuidados médicos necessários para estabilização e manutenção da vida. Também proíbe qualquer pessoa de impedir, atrasar ou determinar a suspensão do tratamento indicado pelos médicos.

Além disso, enquanto a ordem estiver em vigor, a criança não poderá ser retirada do hospital onde estiver sendo tratada nem levada para fora do Texas.

"O tribunal tomou a decisão correta ao agir imediatamente para proteger a vida do bebê Gabriel e garantir que ele receba os cuidados que merece", afirmou Paxton após a decisão.

Procurador-geral do Texas, Ken Paxton, anunciou ordem judicial emergencial para garantir tratamento médico ao bebê Gabriel.(Imagem: Reprodução)

Sem contato após o parto

Embora tenha assegurado o tratamento médico, a decisão também restringiu a atuação de West após o nascimento. Conforme divulgado pela organização Live Action, que acompanha o caso, ela não poderá ter contato com Gabriel nem participar das decisões médicas relativas à criança.

A fundadora da organização, Lila Rose, comemorou a garantia do tratamento, mas criticou a separação. Em publicação nas redes sociais, afirmou considerar injusto que Gabriel seja afastado da mulher que conduziu a gestação justamente no período em que deverá passar por procedimentos médicos.

Os pais biológicos poderão participar das decisões sobre os cuidados, mas não poderão impedir tratamentos considerados necessários para preservar a vida da criança.

Histórico 

O conflito começou após um exame realizado por volta da 20ª semana de gravidez identificar o problema cardíaco. Conforme documentos judiciais citados pela imprensa norte-americana, o contrato de gestação por substituição previa a possibilidade de interrupção da gravidez diante de determinadas anomalias fetais.

West se recusou a realizar o procedimento. A partir daí, a controvérsia passou a envolver também a definição dos direitos parentais e de quem poderá decidir sobre o tratamento de Gabriel depois do nascimento.

Os pais biológicos buscam o reconhecimento de seus direitos parentais na Califórnia, enquanto West também levou a disputa à Justiça. A ordem texana, por ora, impede que o bebê deixe o Estado após nascer.

Uma nova audiência está prevista para 25 de agosto, no Condado de Dallas, quando a Justiça deverá voltar a analisar a situação.

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