Durante julgamento no STF, nesta quarta-feira, 26, ministro Gilmar Mendes e ministra Cármen Lúcia chamaram atenção para os efeitos da desigualdade tecnológica na educação pública, especialmente após a pandemia da Covid-19.
A manifestação ocorreu durante análise dos limites do poder do MPF para requisitar informações, perícias, serviços de servidores e meios materiais de órgãos estaduais. Ao discutir carências estruturais da Administração Pública, os ministros citaram a educação como exemplo do impacto da falta de recursos tecnológicos.
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O decano da Corte afirmou que, naquele período, ficou evidente a diferença entre escolas públicas e privadas em razão da falta de acesso a equipamentos como computadores e tablets.
Segundo o ministro, enquanto parte dos estudantes acompanhava aulas virtuais, muitas escolas públicas precisavam recorrer a materiais impressos que nem sempre chegavam aos alunos.
Cármen Lúcia concordou e destacou que, em alguns casos, os Estados afirmavam ter disponibilizado conteúdo, embora os estudantes não tivessem meios para acessá-lo.
Para a ministra, os efeitos educacionais daquele período ainda levarão anos para serem superados.
"Para superar o que aconteceu durante aqueles três anos, nós vamos levar pelo menos cinco anos para que esses estudantes de então cheguem à mesma condição", afirmou.
Cármen também relatou episódio recente em que foi questionada sobre a substituição de um mimeógrafo por outra ferramenta, exemplo que, segundo S. Exa., evidencia a distância entre estruturas ainda utilizadas e as exigências tecnológicas atuais.
"A maioria das pessoas, inclusive os da minha família, não sabiam o que era um mimeógrafo, os mais novos. Eu sei porque eu sou velha, só por isso", brincou.