Foi realizado nos dias 2 e 3 de setembro, em Lugano, na Suíça, o Europe-Brazil Legal Summit.
Com o tema "Tecnologia, Mercado, Energia e Regulação: Desafios e Oportunidades", o Europe-Brazil Legal Summit reuniu profissionais do Direito, executivos e representantes de diferentes países para discutir os impactos das transformações tecnológicas e regulatórias sobre os negócios internacionais.
Promovido pela ALPS Academy, o encontro integrou o World Law & Justice Forum, iniciativa voltada à aproximação entre Direito, regulação e estratégias empresariais.
Entre os participantes brasileiros estiveram os advogados Gustavo Tepedino e Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e Carlos Eduardo Caputo Bastos, advogado e ex-ministro do TSE. Também participaram o ministro aposentado do STF Luís Roberto Barroso e os advogados Beto Simonetti e Marcus Vinicius Furtado Coêlho.
O Summit contou ainda com representantes de diferentes mercados jurídicos internacionais, entre eles Jörg Menzer, vice-presidente da International Bar Association - IBA; Prashant Kumar, da Índia; Adil Fakhir, dos Emirados Árabes Unidos; Matthias Ruth, vice-reitor da American University of Sharjah, também nos Emirados Árabes Unidos; e Diego Corrado, advogado de Milão.
Segundo a organização, todos os participantes arcaram com os próprios custos de viagem, e não houve participação de ministros ou juízes em exercício.
Contratos e advocacia internacional
A internacionalização da advocacia e a estruturação de operações entre diferentes jurisdições estiveram entre os principais temas debatidos no Europe-Brazil Legal Summit.
Em painel sobre a estruturação de operações transnacionais no contexto União Europeia–Mercosul, Gustavo Tepedino destacou que a elaboração de contratos internacionais exige atenção à legislação aplicável, ao foro, ao idioma e aos mecanismos de resolução de conflitos, além da compreensão da cultura jurídica da contraparte.
"A compreensão vai além do conhecimento jurídico."
Tecnologia e atuação humana
A inteligência artificial e os impactos das novas tecnologias sobre o Direito também estiveram entre os eixos centrais do encontro.
Luís Roberto Barroso falou sobre o avanço da IA no sistema de Justiça e afirmou que a tecnologia tende a estar cada vez mais presente na atuação jurídica.
"A gente vai viver um mundo em que a inicial é feita com a inteligência artificial, a contestação é feita com a inteligência artificial e o julgamento também."
Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, ressaltou, por sua vez, que, mesmo diante do avanço tecnológico, capacidades como escuta, sensibilidade e compreensão das pessoas permanecem essenciais à advocacia.
"Você tem que aprender a ler a alma humana, poder falar com as pessoas, e nada disso tem inteligência artificial."
Participação internacional
No debate sobre inteligência artificial, Prashant Kumar, afirmou que a tecnologia tende a modificar o valor entregue pelo advogado, que passa a atuar cada vez mais como agente de confiança entre pessoas e empresas de diferentes culturas.
Na mesma linha, Adil Fakhir, ressaltou a necessidade de capacitação contínua para o uso responsável dessas ferramentas, sempre com revisão humana do conteúdo produzido.
A mobilidade profissional também esteve no centro das discussões. Para Diego Corrado, a atuação internacional exige mais do que o reconhecimento formal das qualificações, passando pela compreensão das regras, da cultura jurídica e das práticas locais.
Já Matthias Ruth, defendeu uma formação voltada ao aprendizado permanente, com desenvolvimento de pensamento crítico, capacidade de adaptação e sensibilidade cultural para acompanhar as transformações do mercado jurídico.