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Segurança jurídica

Banco Central autoriza inspeção do TCU em liquidação do Banco Master

Presidente do TCU, Vital do Rêgo, afirmou que a inspeção já está em curso e que o BC garantiu acesso aos dados da liquidação.

Da Redação

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Atualizado às 08:03

O Banco Central permitiu que o Tribunal de Contas da União realize inspeção sobre o processo de liquidação extrajudicial do Banco Master. A informação foi confirmada nesta segunda-feira, 12, pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, após reunião com o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, na sede do BC, em Brasília.

Segundo Vital do Rêgo, o encontro teve como objetivo esclarecer dúvidas sobre a competência do TCU para atuar no caso e alinhar procedimentos entre as duas instituições. Ao final da reunião, ficou definido que a inspeção já está em curso e que o Banco Central disponibilizará à Corte de Contas os documentos que embasaram a decretação da liquidação.

Segurança jurídica

Em entrevista coletiva, o presidente do TCU afirmou que "fizemos uma reunião com objetivos claros, de dizimar qualquer tipo de dúvida sobre a nossa competência”.

Para ele, o Banco Central demonstrou interesse em submeter o processo ao crivo do controle externo e obter o "selo de qualidade", em busca de maior segurança jurídica. “Esse processo não é apenas administrativo, é também administrativo e criminal”, declarou.

 (Imagem: Gabriela Biló/Folhapress)

TCU fará inspeção em liquidação do Banco Master com aval do Banco Central.(Imagem: Gabriela Biló/Folhapress)

A reunião ocorreu após a repercussão da decisão monocrática do ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso no TCU, que havia autorizado inspeção técnica no Banco Central para apurar a atuação da autarquia na liquidação do Banco Master. Após recurso do BC, a medida foi suspensa, com encaminhamento do tema ao plenário do Tribunal.

No recurso, o Banco Central sustentou que uma inspeção dessa natureza não poderia ser determinada individualmente pelo relator, devendo ser submetida ao colegiado. Também argumentou que a iniciativa poderia extrapolar os limites do controle externo, ao alcançar decisões técnicas de supervisão bancária.

Sem medida cautelar

Com o entendimento firmado na reunião desta segunda-feira, Vital do Rêgo afirmou que está afastada a possibilidade de adoção de medida cautelar contra o Banco Central. Segundo ele, o TCU não pretende interferir na decisão de liquidação, mas analisar os documentos para verificar a regularidade do procedimento.

“O ato de liquidação é um ato administrativo e regulatório. É um modelo técnico que o TCU está acostumado a analisar”, afirmou.

O ministro ressaltou ainda que não cabe ao Tribunal desfazer a liquidação do Banco Master e que eventual questionamento nesse sentido somente poderia ser apreciado pelo STF.

Prazo e próximos passos

De acordo com Vital do Rêgo, será definido nos próximos dias um calendário de trabalho entre as áreas técnicas do TCU e do Banco Central. A expectativa é de que a inspeção seja concluída em prazo inferior a um mês.

Além dos presidentes das duas instituições, participaram da reunião o ministro Jhonatan de Jesus e diretores do Banco Central das áreas de Fiscalização, Regulação, Cidadania e Supervisão de Conduta, além da Secretaria-Executiva do órgão.

O caso chegou ao TCU a partir de representação do Ministério Público junto à Corte de Contas, que pediu esclarecimentos sobre os critérios adotados pelo Banco Central para decretar a liquidação do Banco Master e sobre a eventual análise de alternativas menos gravosas.

Embargos

Em manifestações anteriores, o BC informou que o conglomerado liderado por Daniel Vorcaro enfrentava grave crise de liquidez, sem recursos suficientes para honrar compromissos com correntistas e investidores, o que teria tornado a liquidação inevitável.

Agora, caberá ao plenário do TCU julgar os embargos apresentados pelo Banco Central na sessão prevista para a próxima quarta-feira, 21, quando também deverá ser definido o alcance formal da inspeção e da fiscalização sobre a atuação da autoridade monetária no caso.

Informações: Agência Brasil.

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