MIGALHAS QUENTES

  1. Home >
  2. Quentes >
  3. Rope jump: tragédia não transforma culpa em dolo, diz Aury Lopes Jr.
Debate penal

Rope jump: tragédia não transforma culpa em dolo, diz Aury Lopes Jr.

Jurista afirmou que caso indica culpa por negligência e imperícia e criticou prisão preventiva em crime culposo.

Da Redação

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Atualizado às 08:03

A morte de uma jovem durante um salto de rope jump reacendeu o debate sobre a responsabilização criminal dos organizadores da atividade. Para o professor Aury Lopes Jr., porém, a gravidade do resultado não autoriza a classificação do caso como homicídio com dolo eventual.

Segundo o jurista, é preciso separar o resultado trágico do elemento subjetivo da conduta. "Não se pode confundir a gravidade do resultado com o elemento subjetivo", afirma. Na avaliação dele, o caso aponta para culpa decorrente de negligência e imperícia, e não para a assunção consciente do risco de matar.

 (Imagem: Reprodução/Redes sociais)

Aury Lopes Jr. rejeita tese de dolo eventual em morte durante rope jump.(Imagem: Reprodução/Redes sociais)

Aury sustenta que, em situações como essa, não há espaço para uma interpretação intermediária. "Ou se quer matar ou não se quer. Não existe assumir o risco quando o resultado morte seria certo", observa, ressaltando que os responsáveis acreditavam que o equipamento funcionaria e evitariam o desfecho fatal.

O professor também critica a decretação de prisão preventiva. Com base no art. 313, I, do CPP, ele afirma que a medida é incompatível com crimes culposos. "Como prender alguém agora se, ao final, ainda que condenado, ele não irá para a prisão?", questiona.

Para Aury, a discussão deve permanecer no campo técnico da teoria do delito. "Ninguém está defendendo impunidade ou dizendo que não é grave. Se a pena do crime culposo é insuficiente, essa é outra discussão. O que não se pode fazer é transformar um fato culposo em doloso apenas pela gravidade do resultado."

hasIntagram

Patrocínio