Meio de campo

Amor e devastação: O dia em que o futebol deixou de ser importante

Na coluna de hoje, o autor fala sobre a perda de Camila, filha de Juca e Leda Kfouri, e reflete sobre a dor de um pai diante da partida da filha.

29/10/2026

Abri o UOL na noite de segunda-feira, 26/10, e fui devastado com o título de texto do jornalista, ou melhor, do amigo Juca Kfouri: "A dor devastadora da perda de Camila".

Camila é – e sempre será – filha de Juca e Leda Kfouri. Foi-se, prematuramente, com apenas 48 anos.

Sobre ela, nada posso falar, pois não a conheci pessoalmente. Mas conheço os pais e testemunho o amor que lhe devotam.

Juca protesta contra a agressão ao ciclo natural da vida. Um protesto que transborda de seu coração e avança, devastadoramente, sobre os corações de seus amigos e amigas. 

Camila foi, como ele afirma, uma de suas paixões. E pela forma como ele se relaciona com outras paixões públicas (e, pela natureza, menores), como o seu Corinthians, pode-se imaginar (ou não se pode) a devastação da perda de paixão incomparavelmente maior.

Quando perdi meu pai, Juca Kfouri publicou, na Folha, um texto sobre o meu velho. Ainda me emociono com a homenagem. Lembro disso porque, se no plano material ele se foi, no espiritual, paradoxalmente, passou a ser mais presente.

Mas a situação não é a mesma; é injustamente diferente. Um filho (ou filha) imagina que verá o pai partir; um pai reza, mesmo que seja ateu, para não se despedir do filho. E ainda mais da filha. Mesmo que, espiritualmente, a presença se intensifique e se torne permanente.

Sim, como o próprio Juca diz, ele a levará consigo até o fim; e até o fim Camila estará, sob outra forma, com ele – e com Leda.

Meu amor pela família Kfouri me impede de continuar. As palavras não mais se revelam ou se conectam. Perdem-se na falta de significado.

Colunista

Rodrigo R. Monteiro de Castro advogado, professor de Direito Comercial do IBMEC/SP, mestre e doutor em Direito Comercial pela PUC/SP, coautor dos Projetos de Lei que instituem a Sociedade Anônima do Futebol e a Sociedade Anônima Simplificada, e Autor dos Livros "Controle Gerencial", "Regime Jurídico das Reorganizações", "Futebol, Mercado e Estado” e “Futebol e Governança". Foi presidente do IDSA, do MDA e professor de Direito Comercial do Mackenzie. É sócio de Monteiro de Castro, Setoguti Advogados.

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